O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) criticou a indicação de Cristiano Zanin para assumir a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) devido à relação entre o advogado e o presidente da República. Lula confirmou o nome do advogado hoje.

Para o ex-juiz federal e ex-ministro, a indicação de Zanin “não favorece a independência da instituição e fere o espírito republicano”.

Zanin foi advogado de Lula durante toda a Operação Lava Jato, em ações protagonizadas por Moro, e no período de sua prisão, entre 2018 e 2019. Seu escritório foi responsável pela defesa no STF e por levar o caso à ONU (Organização das Nações Unidas).

Caso tenha a indicação aprovada, Zanin, que tem 47 anos, poderá ficar no cargo até 2050.

A nomeação de um advogado e amigo pessoal do presidente da República para o Supremo Tribunal Federal não favorece a independência da instituição e fere o espírito republicano. Postou Sergio Moro no twitter.

Sergio Moro se tornou figura conhecida por julgar as acusações de corrupção contra Lula no âmbito da operação Lava Jato, na 13ª Vara Federal de Curitiba. Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo caso do triplex do Guarujá (SP).

Zanin foi o advogado de Lula no processo, e aparece em imagens do dia em que Lula depôs a Moro em Curitiba, ainda em 2017.

Em 2021, Zanin entrou com pedido de habeas corpus junto ao STF que levou à anulação das acusações contra Lula. Isso permitiu que ele concorresse às eleições de 2022 e fosse eleito para seu terceiro mandato presidencial.

Depois, em junho de 2021, Moro foi considerado um juiz parcial pelo STF na condução do processo do triplex do Guarujá.

Após Moro anunciar sua saída do governo, Bolsonaro chegou a dizer que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública queria indicação ao STF, e teria sido favorável à saída de Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal (PF) em troca da vaga.

Moro, porém, sempre negou a pauta como “moeda de troca”. O ex-juiz declarou que o mandatário trocou o comando da PF para ter acesso a investigações e relatórios da entidade, o que é proibido pela legislação. Também declarou que Bolsonaro estava preocupado com inquéritos que correm atualmente no STF.

A primeira vaga no STF aberta no governo Bolsonaro foi preenchida pelo desembargador Kassio Nunes Marques, após a aposentadoria do ministro Celso de Mello.

A segunda indicação de Bolsonaro ficou para o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), André Mendonça, por ocasião da aposentadoria de Marco Aurélio.


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