O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), ex-juiz da Lava Jato, rebateu as críticas do ministro do STF Gilmar Mendes, que disse que “combatentes da corrupção gostam muito de dinheiro”.

O ex-juiz disse que as declarações do magistrado são “mentiras e ofensas pessoais absolutamente desarrazoadas”. O senador também falou em “violação ao decoro judicial”.

Moro ainda chamou o colunista do UOL Reinaldo Azevedo, a quem Gilmar Mendes concedeu entrevista, de “jornalista petista”.

Na ocasião, o ministro do STF falou sobre o conflito de interesses do ex-juiz em ser contratado por empresa que atuou na defesa de condenados pela Lava Jato –a entrevista foi gravada antes da operação da PF sobre um plano do PCC contra Moro.

“No Brasil a gente descobre outra questão, que se mostra nessa participação do Moro, na contratação dessa empresa americana [Alvarez & Marsal] que depois vai contratá-lo. A gente descobre o quê? Que os combatentes da corrupção gostam muito de dinheiro.”

“Aproveito, ainda, para agradecer aos Ministros da Corte que, desde a semana passada, enviaram mensagens de solidariedade a mim e a minha família após a descoberta do plano do PCC”, disse Sergio Moro, no Twitter.

O ministro do STF ainda defendeu que “esse sistema tem que ser varrido”, ao se referir à Lava Jato: “É todo um quadro preocupante, e tudo isso precisaria ser refeito. Por isso que é importante cobrar do Supremo decidir a questão do juiz de garantias”, disse, ao criticar orientações que Moro dava nas denúncias na Lava Jato.

O que é o juiz de garantias?

É um mecanismo criado em 2019 pelo Congresso que prevê uma pessoa diferente para analisar a legalidade de investigações criminais e garantir os direitos fundamentais de acusados.

Ele ainda não está em vigor por que o ministro Luiz Fux suspendeu o julgamento da pauta em 2020.


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