A Mostra de Cinema de Tiradentes, considerada a primeira grande vitrine do cinema brasileiro no calendário anual de festivais, divulgou a programação das mostras competitivas Olhos Livres e Aurora, que integram a 29ª edição do evento. As sessões acontecem entre os dias 23 e 31 de janeiro, na cidade histórica de Tiradentes, com entrada gratuita para o público.
Ao todo, treze longas-metragens terão pré-estreia mundial nas duas mostras, sendo avaliados tanto pelo Júri Oficial quanto pelo Júri Jovem. As obras dialogam com o tema desta edição, “Soberania Imaginativa”, proposto como reflexão sobre liberdade criativa, diversidade estética e autonomia narrativa no cinema brasileiro contemporâneo.
Para a coordenadora-geral do festival, Raquel Hallack, a Mostra mantém um papel estratégico para o setor audiovisual nacional. “A mostra abre o calendário audiovisual brasileiro e funciona como um termômetro para as produções que vão ganhar destaque ao longo do ano”, afirmou. Segundo ela, a edição reúne cerca de cento e quarenta filmes brasileiros em pré-estreias nacionais, refletindo múltiplas linguagens, regiões e modos de produção.
“É um território fértil que antecipa tendências, lança novos nomes e fortalece a produção audiovisual brasileira”, completou Hallack, ao destacar a relevância histórica do evento para cineastas, críticos e público.
Voltada a realizadores com trajetória consolidada, a mostra Olhos Livres reúne obras marcadas pela liberdade formal e pelo risco estético. Em 2026, a seleção inclui Meu Tio da Câmera, de Bernard Lessa; Tannhäuser, de Vinícius Romero; Anistia 79, de Anita Leandro; As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho; O Enigma de S., de Gustavo de Mattos Jahn; Ao Sabor das Cinzas, de Taciano Valério; e Amante Difícil, de João Pedro Faro.
Já a mostra Aurora, dedicada a longas-metragens de estreia, segue como espaço de revelação de novos talentos. A programação traz Vulgo Jenny, de Viviane Goulart; Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira; Politiktok, de Álvaro Andrade; A Voz da Virgem, de Pedro Almeida; Para os Guardados, de Desali e Rafael Rocha; e Obeso Mórbido, de Diego Bauer.
Segundo a coordenação, muitos filmes foram realizados com recursos próprios ou por meio de editais de baixo orçamento, o que evidencia a força e a persistência do cinema independente brasileiro. Um dos espaços mais aguardados do evento é o Cine-Praça, que transforma o Largo das Forras em cinema ao ar livre, com sessões seguidas de debates. Além das exibições, a Mostra mantém investimento em atividades formativas gratuitas, com oficinas, workshops e masterclasses voltadas à formação audiovisual.
Foto: Pablo Baião/Divulgação

