O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) disse que vai se reunir com a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Rosa Weber, para pedir à ministra que acelere os processos contra os presos por participação nos atos de vandalismo que depredaram as sedes dos Poderes da República em 8 de janeiro.

Mourão afirmou estar “preocupado” e que é preciso “separar o joio do trigo”, porque, segundo ele, muitos dos que estão detidos não teriam depredado o patrimônio público.

“Consideramos que tem muita gente que está ali que cometeu, vamos dizer assim, não é nem crime, cometeu ilegalidade, por exemplo, participou da marcha, entrou no Palácio [do Planalto], mas não quebrou nada”, iniciou.

“Vamos pedir para agilizar os processos dessas pessoas, separar o joio do trigo, e essas pessoas que paguem multa, cestas básicas, paguem serviços comunitários, para pessoas que invadiram o patrimônio público, mas não quebraram”, completou.

Hamilton Mourão também afirmou que participar de um ato inconstitucional não “se configura crime”, e comparou com uma pessoa que pula o muro de um clube porque não tem carteirinha.

“O fato de está presente não configura crime, mas uma ilegalidade, igual pular o clube sem carteirinha.”

O ex-vice-presidente afirmou que não mantém mais contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que a última vez que eles se comunicaram foi no final de 2022, por mensagens trocadas no WhatsApp, quando o então chefe do Executivo abandonou o país e foi para os Estados Unidos.

“Não falamos mais. Último contato foi quando ele estava indo para o aeroporto, me mandou uma mensagem por WhatsApp, me pedindo para assinar uns decretos. Depois fui execrado, mas assinei dentro da lealdade que caracteriza o cargo.”

Hamilton Mourão também disse que é “possível” que Jair Bolsonaro seja preso por possíveis crimes que tenha cometido em seu governo, devido aos vários inquéritos que tramitam contra ele na Justiça. Porém, o parlamentar ressaltou que isso seja “pouco provável” de acontecer.

Hamilton Mourão também destacou que, caso o Exército tivesse permitido a entrada da Polícia Militar no acampamento golpista na noite de 8 de janeiro, após os vândalos bolsonaristas terem depredado as sedes dos Três Poderes, teria ocorrido um “banho de sangue”.

“Em relação a impedir a entrada naquela noite, em 8 de janeiro, seria um banho de sangue, por uma razão muito simples: As forças da segurança pública estavam com os olhos injetados. Por quê? Porque durante a arruaça que aconteceu, houveram (sic) agressões a policiais militares, então a turma queria revidar.”

Na noite de 8/1, após as cenas de terrorismo praticadas por bolsonaristas em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal foi desmantelar o acampamento golpista em frente ao Quartel-General do Exército na capital, mas os soldados fizeram uma barreira para impedir a ação dos policiais. Os golpistas foram dispersados na segunda (9/1).


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