Mais de uma década de trabalho foi necessária para concluir o inventário do patrimônio de natureza material e imaterial relacionado à memória de Francisco Cândido Xavier.

O inventário é decorrente do acordo judicial celebrado em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) para a proteção dos bens móveis e imóveis deixados pelo médium mineiro, conhecido como Chico Xavier.

O acordo foi celebrado em 2014 entre o MPF, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), o Município de Uberaba (MG), a Fundação Cultural de Uberaba e o filho adotivo e herdeiro de Chico Xavier, Eurípedes Humberto Higino dos Reis, tendo como interveniente Arlindo Paludo.

Os trabalhos de pesquisa foram executados pelo Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (Insod) e o cronograma inicial teve prorrogações e adequações diante da complexidade do levantamento, “com grande volume de informações e participação de uma equipe interdisciplinar de número expressivo de especialistas”.

O instituto entregou ao MPF, em 1º de agosto de 2022, os relatórios e dados que compõem os resultados finais do Plano de Ação desenvolvido na Casa de Memórias e Lembranças Chico Xavier (CMLCX). Após análise do volumoso material, somando cerca de dois terabytes de dados, a documentação foi encaminhada ao Iphan, ao Iepha e à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, que passou a abarcar a antiga Superintendência de Museus e Artes Visuais de Minas Gerais (Sumav) para as respectivas validações, de acordo com suas metodologias específicas, conforme prevê o Plano de Ação.

O Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau) também recebeu cópia do Relatório Consolidado do Plano de Ação Casa de Memórias e Lembranças Chico Xavier para as providências a seu cargo.

Bens culturais – Nos relatórios de Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) e Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC), o Insod recomenda “que a Casa de Memórias e Lembranças Chico Xavier seja incluída no Livro de Registro dos Lugares (Iphan), de modo a constar como um bem cultural imaterial de relevância para o Brasil, contemplando também a preservação do seu acervo material associado, bem como seja incluída no Livro de Tombo III – Histórico, das Obras de Arte Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos (Iepha/MG), de modo a constar como um bem cultural material de relevância para o Estado de Minas Gerais, contemplando também a preservação do seu acervo material associado, tomando-os em conjunto”.

Da mesma forma, no Relatório Consolidado do Inventário, Organização e Salvaguarda do Acervo Museológico, o Insod recomenda ainda o tombamento pelo Estado de Minas Gerais e inclusão no Livro de Tombo III – Histórico, das Obras de Arte Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos (Iepha/MG) os demais cinco bens edificados relacionados à vida e obra de Chico Xavier em Uberaba: Comunhão Espírita Cristã (CEC) e Primeira Residência de Chico Xavier na cidade; Grupo Espírita da Prece (GEP); Assistencial Chico Xavier; Jazigo Chico Xavier, Abacateiro.

Chico Xavier nasceu em Pedro Leopoldo (MG) em 1910 e, em 1959 mudou-se para Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde viveu até a sua morte, em 2002. Ele deixou mais de 400 livros psicografados. Estima-se que foram vendidos mais de 50 milhões de exemplares dos livros em português, com traduções em várias línguas.

Reconhecimento pela Unesco- Além da tombamento do patrimônio de Chico Xavier por Minas Gerais e pelo Iphan, está em análise, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a inclusão do local onde Chico Xavier se revelou ao espiritismo mundial na seleta lista de territórios chancelados pelo órgão como área especial do planeta.


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