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Por Geraldo Elísio (Repórter)

Qualquer criança nascida no Grande Sertão – Veredas – obra prima de Guimarães Rosa, desde tenra idade ouve falar que brincar com fogo é algo muito perigoso. E os ensinamentos sertanejos têm um estranho dom de permanecerem arraigados pelo resto da vida no coração daqueles que nascem na região.

Lógico, o presidente norte americano Joe Biden não é o cidadão nascido no sertão, porém perigosamente brinca com armas de fogo e o pior, no caso abordado, armas de teor atômico envolvendo a Rússia de Vladimir Putin. Ambos sabem da premissa, as armas de dissuasão não são feitas para uso.

Entretanto, a situação envolvendo Moscou e Washington em face da Ucrânia pode descambar para caminhos perigosos e fazer soar as trombetas do Apocalipse. Não fosse isso, Kay-Achim Schönbach, ex-comandante da Marinha alemã, não teria renunciado ao seu cargo após um incidente diplomático após falar sobre o eslavo.

Segundo ele, o presidente russo “merece respeito” e a Crimeia é um caso perdido para a Ucrânia. O que provocou críticas de Kiev, Washington e EU, que consideram “inaceitável a anexação da península por Moscou”. “Pedi à ministra da Defesa, Christine Lambrecht, para me dispensar de minhas funções imediatamente”, disse o vice-almirante, em comunicado citado pela agência de notícias Reuters. “A ministra aceitou meu pedido”.

Isto ocorreu no auge da escalada das tensões na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia e em meio a críticas de Kiev por Berlim não querer fornecer armas. “O que ele – Putin – realmente quer é respeito”, disse o vice-almirante na sexta-feira, falando em inglês em um vídeo postado no YouTube.

– “E, meu Deus, dar respeito a alguém custa pouco ou nada. É fácil dar a ele o respeito que ele realmente quer e provavelmente merece”, disse Schönbach, referindo-se à Rússia como um país antigo e importante.

Além do mais, acrescentou: “As ações da Rússia na Ucrânia precisam ser debatidas”, mas acrescentou que “a Península da Crimeia se foi, nunca mais voltará”. Isso é um fato”. As declarações ocorrem no momento em que a Rússia reúne dezenas de milhares de soldados nas fronteiras da Ucrânia e em meio ao temor mundial de que uma invasão esteja em andamento, o que a Rússia nega.

Schönbach publicou um pedido de desculpas na conta oficial da Marinha alemã no Twitter. “Foi claramente um erro”, escreveu. “Meus comentários sobre a política de defesa durante uma sessão de discussão em um think tank na Índia refletem minha opinião pessoal naquele momento. Eles não refletem de forma alguma a posição oficial do Ministério da Defesa”, disse. Tudo bem, mas observa-se claramente que a opinião dele é esta.

Por outro lado, Olaf Scholz , eleito primeiro-ministro da Alemanha, manifestou-se preocupado também. Não com a mesma veemência de seu subordinado, mas com indícios de saber que todos os impérios estão, por mais fortes que sejam, sujeitos a declínios. Talvez seja a hora exata do outro lado pensar que hoje existem na condição de complicadores de planos Moscou e Beijing.