Dados de rastreamento marítimo indicam que a maioria dos navios que atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas horas estava ligada ao Irã. A movimentação ocorre em meio a tensões persistentes na região, mesmo após um cessar-fogo temporário firmado entre Teerã e Estados Unidos.
Segundo análises de plataformas de monitoramento marítimo, três navios-tanque partiram de águas iranianas no período recente. Entre eles, um superpetroleiro com capacidade para transportar até dois milhões de barris, além de um navio de abastecimento e outra embarcação de menor porte destinada ao transporte de petróleo.
Além dos petroleiros, quatro navios graneleiros também foram identificados na rota, incluindo uma embarcação carregada com minério de ferro iraniano com destino à China. Apesar dessa movimentação, outras embarcações optaram por adiar suas viagens, refletindo o clima de incerteza no comércio marítimo internacional.
A instabilidade ocorreu mesmo após um cessar-fogo de curta duração, que interrompeu temporariamente ataques envolvendo forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No entanto, o acordo não foi suficiente para normalizar completamente o fluxo no Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas globais para o transporte de energia.
Paralelamente, novos episódios de tensão foram registrados no Líbano, onde Israel trocou disparos com o grupo Hezbollah. Tanto Washington quanto Teerã classificaram os confrontos como violações do acordo de trégua.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a condução do Irã no tráfego de petróleo pelo estreito, afirmando que o fluxo deveria ser retomado de forma mais regular. Já o governo iraniano acusou Israel de desrespeitar os termos da trégua ao intensificar ataques em território libanês.
Embora o cessar-fogo tenha reduzido temporariamente os ataques diretos, ele não conseguiu eliminar o bloqueio parcial da rota marítima nem encerrar os conflitos paralelos envolvendo aliados regionais do Irã. A situação segue afetando o fornecimento global de energia, com reflexos nos mercados internacionais.
Apesar das tensões, as primeiras negociações formais entre Estados Unidos e Irã estão previstas para ocorrer em Islamabad. A cidade foi submetida a um esquema especial de segurança, com restrições de circulação e criação de uma área protegida ao redor do local das reuniões.
A delegação iraniana será liderada por Mohammad Baqer Qalibaf, enquanto os Estados Unidos devem ser representados pelo vice-presidente JD Vance. As conversas buscam avançar em um acordo mais amplo, em meio a um cenário ainda marcado por desconfiança e instabilidade regional.
Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras

