A indicação de Gleisi Hoffmann para o Ministério das Relações Institucionais do governo Lula desencadeou uma disputa dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) pelo comando da sigla nos próximos quatro meses. Entre os nomes cotados para assumir o cargo temporariamente, o senador Humberto Costa (PE) aparece como favorito, enquanto o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (CE), também é lembrado. A decisão será discutida em reunião marcada para depois do carnaval.
A nomeação de Gleisi para o Palácio do Planalto foi vista como um aceno à ala do partido que resistia à escolha do ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, como futuro presidente da sigla. No entanto, Edinho só assumirá a função a partir de 6 de julho, data da eleição interna com participação dos filiados.
Lideranças da corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), articulam para que Humberto Costa ocupe a presidência interina e se fortaleça como candidato ao comando definitivo da sigla em julho. Pelo menos três membros da executiva nacional defendem essa estratégia. Edinho, por não integrar o diretório nacional, não pode concorrer ao mandato-tampão.
A saída de Gleisi da presidência do PT é obrigatória para que ela assuma o ministério, seguindo as normas da Comissão de Ética da Presidência da República. Com isso, o partido precisa definir quem ocupará o cargo temporariamente. “Edinho não pode porque não está no diretório nacional. Os mais cotados são Guimarães e Humberto”, afirmou a tesoureira do PT, Gleide Andrade.
Guimarães, que agora surge como possível presidente interino, chegou a ser cogitado para o Ministério das Relações Institucionais. Contudo, interlocutores do Planalto apontam que sua menção em uma investigação sobre desvio de emendas parlamentares reduziu suas chances. Embora não seja investigado e negue qualquer envolvimento em irregularidades, Lula optou por Gleisi Hoffmann para o cargo. Durante a reunião que selou sua ida ao ministério, a própria Gleisi sugeriu que Guimarães assumisse o PT temporariamente.
Além disso, aliados da nova ministra acreditam que Lula pode substituir Guimarães na liderança do governo na Câmara para acomodar um nome do Centrão, fortalecendo a base de apoio no Congresso. Ainda não há definição sobre o futuro do deputado caso essa mudança ocorra.
Já Humberto Costa tem a seu favor o fato de ter coordenado a estratégia do PT nas eleições municipais de 2024. Apesar de um desempenho inferior ao de partidos de centro e direita, a legenda ampliou seu número de prefeituras eleitas para 246 e conquistou a capital Fortaleza com Evandro Leitão.
Apesar das articulações, Edinho Silva ainda enfrenta resistência dentro do PT. No entanto, a avaliação interna é de que apenas uma decisão direta de Lula poderia alterar esse quadro. Mesmo sem uma definição oficial, Edinho tem intensificado viagens pelo país para consolidar apoios e se viabilizar como futuro presidente da legenda.
Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

