Os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de sanções contra Cuba, ampliando a pressão econômica sobre o país caribenho e reforçando a estratégia da administração do presidente Donald Trump de isolar o governo de Havana. As medidas atingem empresas ligadas aos setores de mineração e turismo, além de integrantes da cúpula política cubana, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel.

As sanções foram divulgadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano na quinta-feira (4) e incluem a empresa de turismo Amistur Cuba e a Minera La Victoria, empreendimento formado pela estatal cubana Geominera em parceria com a empresa australiana Antilles Gold. Segundo as autoridades dos Estados Unidos, as restrições fazem parte da política de endurecimento das relações com o governo cubano.

No mesmo dia, Donald Trump afirmou que Cuba deseja apoio econômico de Washington e sugeriu a possibilidade de investimentos futuros na ilha. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas, quando o presidente norte-americano comentou que os Estados Unidos poderiam analisar o cenário cubano após resolver outras questões internacionais.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou que empresas e instituições financeiras que mantiverem relações comerciais com entidades sancionadas poderão ser alvo de medidas semelhantes. Segundo ele, bancos estrangeiros e companhias que prestem serviços às organizações incluídas na lista devem interromper essas atividades para evitar punições.

Além das empresas, as sanções atingem diretamente Miguel Díaz-Canel, a primeira-dama Lis Cuesta Peraza, o filho do casal, Manuel Anido Cuesta, e outros integrantes do governo cubano. Também foram incluídos na lista Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente Raúl Castro, e Raul Alejandro Castro Calis, neto do antigo líder cubano.

Outras instituições afetadas são o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e os Comitês para Defesa da Revolução. De acordo com o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos, ficam proibidas transações realizadas por cidadãos norte-americanos ou por pessoas em território dos EUA que envolvam bens ou interesses das entidades bloqueadas.

A resposta do governo cubano foi imediata. Miguel Díaz-Canel classificou as declarações de Trump como ameaçadoras e afirmou que as novas sanções prejudicam principalmente a população da ilha. Em publicação nas redes sociais, o presidente declarou que o país continuará resistindo às pressões externas e defenderá sua soberania diante do que chamou de agressão imperial.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também criticou as medidas. Segundo ele, a inclusão de pessoas e organizações em listas de sanções demonstra uma tentativa de interferência nos assuntos internos do país. O chanceler afirmou que qualquer iniciativa voltada para gerar conflitos entre Havana e Washington está destinada ao fracasso.

Rodríguez ainda contestou declarações de Marco Rubio sobre o fornecimento de petróleo para Cuba. O ministro argumentou que uma ordem executiva assinada pelo governo dos Estados Unidos em janeiro de 2026 autorizou tarifas punitivas contra países que exportem petróleo para a ilha, direta ou indiretamente.

bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba se aproxima de sete décadas e foi intensificado nos últimos anos. Em janeiro de 2026, Washington ameaçou aplicar sanções a fornecedores de petróleo do país caribenho. Como consequência, Cuba passou cerca de três meses sem receber carregamentos do produto.

As restrições econômicas têm agravado dificuldades enfrentadas pela população cubana. Entre os efeitos relatados estão o aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos essenciais, a redução da oferta de transporte público e dificuldades na distribuição de alimentos subsidiados. Moradores de Havana ouvidos pela Agência Brasil afirmam que o país atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história recente.

Foto: afroangelll/Pixabay


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