Durante uma intensa agenda entre os dias 29 e 31 de julho, representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) visitaram obras concluídas, intervenções em andamento e projetos contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) em diversas cidades históricas de Minas Gerais. Ao todo, foram liberados mais de R$ 20 milhões em novos investimentos destinados à preservação do patrimônio cultural no estado.
Segundo Leandro Grass, presidente do Iphan, Minas Gerais concentra mais de 40 obras contempladas pelo Novo PAC, com cerca de R$ 236 milhões investidos. “Os projetos abrangem o restauro de igrejas, museus, praças, equipamentos culturais e ações integradas de requalificação urbana. Mais do que proteger bens materiais, essas ações fortalecem vínculos com a história local, dinamizam a economia criativa e asseguram que os espaços de memória continuem vivos no cotidiano das comunidades”, afirmou.
Em Congonhas, a comitiva visitou o Parque da Romaria, que deverá ser entregue à população até o final deste ano. O investimento federal no espaço é de aproximadamente R$ 7,2 milhões. A cidade também recebeu recursos para a requalificação do Museu da Imagem e Memória, com R$ 2,3 milhões, e para a restauração da antiga Câmara de Vereadores, atual sede da Biblioteca Municipal, com cerca de R$ 1,42 milhão. Para o diretor do Departamento de Acompanhamento de Execução e Investimentos (DAEI), Daniel Sombra, a cooperação entre os governos federal e municipal tem sido essencial. “O Iphan, junto à Prefeitura de Congonhas, está acompanhando de perto diversas ações do Novo PAC no município. Essa parceria é fundamental para garantir a entrega de espaços requalificados à população, como o Parque Municipal, o Museu e a Biblioteca, que são marcos importantes para a cidade”, declarou.
Maria do Carmo Lara, superintendente do Iphan em Minas Gerais, destacou o impacto cultural e social das intervenções. “É uma alegria muito grande estar aqui, acompanhando obras que são fundamentais para Congonhas e que, em breve, serão entregues à comunidade. São ações que preservam e dinamizam o patrimônio cultural da cidade”, afirmou. Nadja Valeska Martins, gerente de bibliotecas de Congonhas, reforçou o valor simbólico do prédio da biblioteca pública municipal. “Temos muito orgulho desse edifício, que já foi sede do antigo Poço de Saúde e da Câmara dos Vereadores. É um prédio tombado, com grande valor simbólico para a cidade. Abrigar a biblioteca pública aqui é unir literatura e patrimônio, duas dimensões que se complementam”, explicou.
Em Mariana, o destaque foi a visita técnica ao prédio da antiga Prefeitura, que será requalificado para abrigar o novo Centro de Artesanato de Mariana. O investimento previsto é de R$ 18,5 milhões e tem como foco o fortalecimento da economia local por meio da cultura criativa. A proposta já conta com projetos executivos de arquitetura e instalações complementares revalidados pelo Iphan. O processo licitatório encontra-se em fase de instrução. A expectativa é que a nova estrutura receba aproximadamente 40 mil visitantes por ano e ofereça um espaço adequado para a comercialização da produção artesanal local, ampliando a visibilidade dos artistas da região. Segundo o Iphan, a ação integra uma linha estratégica que associa a preservação do patrimônio à sua função social e à valorização da diversidade cultural.
A missão também passou por Ouro Preto, onde o Iphan acompanha as obras de restauração da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, da Igreja de São Francisco de Paula e da Igreja das Mercês e Perdões. Todas as intervenções priorizam a preservação da autenticidade arquitetônica e buscam estreitar os laços entre a comunidade e os bens tombados. Gustavo Ferreira, historiador responsável pela mobilização comunitária na restauração do Bom Jesus de Matosinhos, explicou como o envolvimento popular foi decisivo no processo. “Realizamos uma votação pública com moradores e representantes da sociedade civil, e a cor vermelha foi escolhida por ser a mais antiga identificada nas portas e janelas durante a pesquisa histórica. Além disso, temos realizado oficinas com crianças, fortalecendo os vínculos entre as novas gerações e o patrimônio local”, destacou.
Na Igreja de São Francisco de Paula, a comerciante Andrea Gomes ressaltou a importância do templo para os moradores e o turismo local. “Essa igreja é muito importante para nós. Os turistas que chegam aqui querem conhecê-la, ouvir a história. Preservar esse lugar é preservar a nossa identidade e também garantir que o turismo continue fortalecendo nosso comércio e nossa cidade”, declarou.
A agenda foi encerrada em Belo Horizonte, com visitas técnicas a três locais estratégicos. O primeiro deles foi o edifício da antiga Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), atualmente em processo de restauração. O segundo foi o Instituto de Hospitalidade e Artes Culinárias (INHAC), voltado para a formação profissional no setor de alimentos e turismo. Por fim, a comitiva visitou o Centro de Referência do Queijo Artesanal, iniciativa que conta com recursos viabilizados por meio da Lei Rouanet.
Além das visitas, também foram realizadas reuniões com entidades parceiras, como a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (Appa – Cultura & Patrimônio), que tem desempenhado papel relevante na execução de projetos de preservação em Minas Gerais. A série de visitas técnicas reafirmou o compromisso do governo federal com a valorização da memória nacional e com o estímulo à cultura como vetor de desenvolvimento econômico e social.
Com ações concretas em cidades emblemáticas do patrimônio histórico nacional, o Novo PAC consolida uma nova etapa de investimentos públicos em infraestrutura cultural. A articulação entre o Iphan, gestores locais, representantes da sociedade civil e instituições de fomento tem mostrado que é possível preservar o passado, dinamizar o presente e preparar as cidades históricas para um futuro mais inclusivo e culturalmente vibrante.
Fotos: Neno Vianna/Prefeitura de Ouro Preto

