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Por Leonardo Augusto

Será em Minas Gerais o principal desafio do partido Novo nas eleições de 2022.

Com a disputa pelo governo federal polarizada entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apertando espaço para uma possível terceira via, a legenda tenta pela primeira vez reeleger um governador sem utilizar recursos do fundo eleitoral, decisão adotada pela sigla em outras disputas, mas nunca para o cargo.

O chefe do Poder Executivo de Minas Gerais, Romeu Zema, foi o único eleito pelo partido em 2018. A decisão de não utilizar recursos do fundo torna o partido dependente exclusivamente de doações de pessoas físicas para a briga por votos nas urnas.

O posicionamento do Novo significa perda de R$ 89 milhões para o caixa do partido no plano nacional em 2022, conforme divisão do fundo eleitoral a partir da aprovação do orçamento para o ano.

Para efeito de comparação, o PSD, do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, provável adversário de Zema, terá R$ 338,6 milhões no plano nacional.

Por outro lado, o Novo é, pelos dados contabilizados até o momento, o campeão de receitas em Minas Gerais em 2021, por causa exatamente do bolso de pessoas físicas. Um grupo de quatro empresários doou à legenda em Minas R$ 4,5 milhões no período.

O valor representa 96% dos R$ 4,7 milhões de receita do partido no ano passado no estado.

As despesas ficaram em R$ 813,9 mil. Em segundo lugar em valores recebidos no período está o PSL, com R$ 2,887 milhões, dos quais R$ 2,883 milhões repassados pela direção nacional da legenda para o diretório estadual. As despesas da legenda somaram R$ 2,1 milhões.

O PSD de Kalil em Minas recebeu R$ 2,5 milhões, dos quais R$ 2,4 milhões enviados pela direção nacional. Os gastos foram de R$ 2,3 milhões. Todos os números seguem sendo atualizados. O prazo dos partidos para prestação de contas do ano passado se encerra em 30 de junho.

Ciente de estar diante de uma campanha que terá provavelmente menos recursos que os adversários, o Novo se prepara para uma busca por votos mais econômica possível em Minas Gerais, estratégia sustentada por duas vertentes: as redes sociais e o voluntariado.

“A campanha mais barata é pelas redes sociais. Consegue-se chegar às bases com mais frequência e mais contundência”, afirma o presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro. Sobre a ajuda de pessoas sem custos para o partido, o dirigente diz que o número de simpatizantes da legenda vem aumentando.

“Temos 30 mil filiados e mais de 200 mil apoiadores”, diz o dirigente, que aponta a reeleição de Zema como uma das principais metas do partido em 2022.

Ribeiro afirma não ser possível contabilizar quanto dos R$ 89 milhões do fundo eleitoral a que o Novo tem direito seriam enviados para a campanha de Zema caso o partido fizesse uso dos recursos.

“Somos essencialmente contra recursos públicos para partidos políticos num momento de pandemia, crise econômica. É um desrespeito ao pagador de impostos”, argumenta.

Em relação ao uso das redes sociais durante a campanha, Zema já vem fazendo o que poderia ser considerado como um treino em busca de popularidade.

O governador usa frequentemente suas contas pessoais, inclusive a que tem no TikTok, considerado um reduto de adolescentes. Recentemente postou um vídeo lavando pratos. Em outro, colhe mangas no pé e vai para a pia cortar as frutas.

Fora da internet, Zema também mantém intensa agenda como governador no interior do estado, inaugurando obras e realizando encontros com líderes políticos.

O grupo de “padrinhos” do Novo em Minas Gerais é formado por Salim Mattar, ex-ministro da Desestatização do governo de Jair Bolsonaro e fundador de empresa de aluguel de veículos, seu irmão, Eugênio Mattar, presidente do conselho de administração da empresa, Rafael Menin, do setor de construção civil e de comunicação, e Ricardo Guimarães, banqueiro.

Um dos quatro doadores, Salim Mattar, foi nomeado consultor de projetos estratégicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico do governo Zema em abril do ano passado.

O presidente do Novo avalia não haver possível conflito de interesses na relação entre Mattar, o governo e o partido Novo.

Conforme Ribeiro, Mattar já é um antigo doador da legenda. O ex-ministro de Bolsonaro transferiu R$ 500 mil para o Novo no ano passado. Seu irmão, Eugênio Mattar, repassou R$ 1,5 milhão no período.

Os outros dois empresários, Ricardo Guimarães e Rafael Menin, doaram respectivamente R$ 1,5 milhão e R$ 1 milhão. A família Menin, que tem como patriarca Rubens Menin, pai de Rafael, além de forte atuação no setor de construção, é proprietária de uma rádio local de Belo Horizonte e da CNN Brasil.

As famílias Menin e Guimarães não mantêm bom relacionamento com o provável rival de Zema nas eleições por questões que envolvem o futebol.

Ricardo Guimarães e Alexandre Kalil (e também seu pai, Elias Kalil, que já morreu) foram presidentes do Atlético-MG. Guimarães, ao lado dos Menin, fazem atualmente o papel de mecenas no clube. As disputas envolvem basicamente quem teria feito mais pelo time.

Dos quatro empresários, o único que respondeu contato feito pela reportagem foi Eugênio Mattar.
“Sou apartidário e considero ainda que o apoio individual a pessoas e partidos políticos é uma forma de participação legítima de cidadania dentro de uma sociedade democrática e plural”, diz Eugênio Mattar, em nota.

“Representa o apoio cidadão a causas consideradas relevantes para o desenvolvimento sustentável do país e que devem ser debatidas, o que explica os apoios devidamente feitos de forma transparente no passado”, completa.

O empresário não respondeu se pretende fazer novas doações à legenda este ano.
O governador não comentou o fato de Salim Mattar ser um dos que contribuíram com o partido e divulgou uma seguinte nota.

“O foco do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, é atuar no combate à pandemia, nas ações de recuperação dos estragos causados pelas chuvas e continuar o trabalho para conter a crise fiscal que o estado enfrenta. A questão eleitoral será debatida em momento oportuno. Além disso, as questões de captação e preparação para a campanha são temas afetos ao partido.”

Fonte: Folhapress


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