Governos ocidentais elevaram o tom dos alertas sobre o risco de uma invasão russa da Ucrânia, ao final de uma semana marcada por poucos avanços diplomáticos e pela guerra de versões entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e Moscou.
Em visita à Austrália, o secretário de Estado, Antony Blinken, seguiu o tom alarmista adotado pelo presidente Joe Biden na véspera e afirmou que uma invasão russa é iminente.
— Colocando de forma simples, nós continuamos a ver sinais preocupantes de uma escalada russa, incluindo com a chegada de novas forças na fronteira com a Ucrânia — declarou Blinken, em entrevista coletiva.
— Como mencionamos antes, estamos em uma janela de invasão, que pode ocorrer a qualquer momento, Blinken se referia aos Jogos de Inverno, que ocorrem em Pequim até o dia 20 de fevereiro — analistas lembram que, em 2008, a intervenção russa na Geórgia teve início dias antes da Olimpíada daquele ano, realizada também na capital chinesa.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, também mencionou o “risco real” de um conflito armado na Europa.
— O número de militares russos aumenta, enquanto os prazos de advertência diminuem — afirmou, durante visita a uma base militar operada pela aliança na Romênia. — Há o risco de uma invasão de grande escala, mas também de outras ações agressivas, como tentativas de derrubar o governo em Kiev, ciberataques híbridos e outros tipos de agressão russa.
O alarme foi replicado pelos governos do Japão, da Coreia do Sul e da Holanda, que pediram para que seus cidadãos deixem a Ucrânia imediatamente. A missão diplomática holandesa será temporariamente realocada na cidade de Lviv, no Oeste do país.
Os comentários de Blinken e Stoltenberg vieram horas depois de uma entrevista do presidente americano, Joe Biden à rede NBC: nela, ele pediu a todos os cidadãos dos EUA na Ucrânia que deixem o país, e destacou que não enviará militares para operações de resgate no caso de uma guerra.
— Não é como se estivéssemos lidando com uma organização terrorista. Estamos lidando com um dos maiores exércitos do mundo. É uma situação muito diferente, e as coisas podem ficar muito loucas rapidamente — afirmou Biden.
Ainda na noite de quinta, Biden se reuniu com seus conselheiros de segurança nacional na Casa Branca para discutir a presença de mais de 100 mil militares russos nas fronteiras com a Ucrânia, além dos exercícios que estão sendo realizados em conjunto com a Bielorrússia, e que vários países ocidentais consideram mais uma forma de pressão sobre Kiev.
O presidente também vai conversar por telefone, nesta sexta, com líderes de Polônia, Alemanha, Itália, Romênia, Reino Unido e com representantes da União Europeia e da Otan.
Fonte: BBC News Brasil

