A direção estadual do União Brasil, partido que ocupa a vice-prefeitura de Belo Horizonte com Álvaro Damião, enfrenta desafios para conter tensões internas entre seus vereadores na capital. A disputa pela presidência da Câmara Municipal revelou fissuras na legenda, e o vice-prefeito tem desempenhado um papel central na tentativa de evitar um racha definitivo.

Álvaro Damião defende a candidatura de Bruno Miranda (PDT) para presidir a Câmara, alinhado à posição da prefeitura, mas enfrenta resistência de sua colega de bancada, a vereadora Janaína Cardoso. Ela declarou apoio a Juliano Lopes (Podemos), contrariando a orientação do partido e do governo municipal. Em mensagem ao lado de Lopes, Janaína afirmou: “A vida é feita de surpresas e, às vezes, essas surpresas são desagradáveis, mas são nesses momentos que temos que tomar algumas decisões”.

Os problemas internos da legenda não são novos. Janaína é alvo de um processo por “abuso de poder político”, devido ao uso da imagem dela com o projeto “Carreta da Saúde”, financiado pela prefeitura. A denúncia foi apresentada pelo colega Wagner Messias, conhecido como Preto, que é suplente de Janaína e busca sua cassação para assumir a vaga. A situação se complicou com a alegação de que uma testemunha do processo teria vinculação com Álvaro Damião, gerando mais atritos.

Na tentativa de reverter o cenário desfavorável, Álvaro Damião foi nomeado secretário de Governo na sexta-feira, 27 de dezembro, e imediatamente intensificou as articulações em favor de Bruno Miranda. A prefeitura, sob sua coordenação, adotou medidas contundentes, como a exoneração de servidores indicados por vereadores que apoiam Juliano Lopes. Anselmo José Domingos, antecessor de Damião na Secretaria de Governo, deixou o cargo sob a alegação de que favorecia Lopes, reforçando o engajamento do vice-prefeito para garantir a unidade do governo municipal.

Enquanto isso, o presidente estadual do União Brasil, deputado Delegado Marcelo Freitas, reiterou a importância do diálogo como solução para o impasse. Segundo ele, o partido buscará um consenso que beneficie o crescimento da legenda em Minas Gerais. “O União Brasil vai exaurir o diálogo ao máximo. Caso não haja consenso, a Executiva estadual pode tomar uma decisão”, afirmou Freitas, afastando a possibilidade de expulsar Janaína Cardoso, que considera um quadro relevante.

Outro elemento que adiciona incerteza à disputa é o fato de que os novos vereadores eleitos para a Câmara Municipal ainda não se posicionaram sobre qual candidato apoiarão. Essa indecisão pode trazer surpresas de última hora e alterar o cenário previsto, tornando o resultado ainda mais imprevisível.

A iminente eleição para a presidência da Câmara Municipal, marcada para 1º de janeiro, representa um teste crucial para Álvaro Damião, cuja reputação como articulador do governo está em jogo. Uma derrota do candidato apoiado pela prefeitura seria vista como um revés significativo para o vice-prefeito, que busca consolidar seu papel político e manter a coesão da base governista.

A crise no União Brasil reflete as complexidades da política local, onde disputas pessoais e institucionais frequentemente se misturam. O desfecho das negociações lideradas por Álvaro Damião pode determinar não apenas o futuro da presidência da Câmara, mas também a estabilidade do partido na capital mineira. Ações como a exoneração de aliados de opositores e a mobilização em favor de Bruno Miranda sinalizam a determinação do vice-prefeito em garantir o controle da situação, enquanto o União Brasil tenta evitar danos mais profundos à sua unidade política.

 

Foto: Abraão Bruck/CMBH