De Brasília, Helenise Brant
Contra todos os males e destruições que a extrema-direita causou ao Brasil e aos brasileiros, nos últimos anos, o que melhor podemos fazer é continuar nos organizando como nação justa e soberana, reconstruída na fraternidade e na busca do bem-comum.
Considerando o grau de degradação do tecido social, da política e das estruturas do Estado, o eleitorado tomou a decisão sensata de escolher Lula e o PT para assumir a frente desta dura caminhada, que está apenas começando. Estamos chegando a 100 dias de governo e devemos ter a clareza de que a direção escolhida foi a nossa salvação. Sim, porque fora da política, é a barbárie.
Ainda bem que temos um partido político com sólida formação democrática e social, estrutura republicana e fundamentos programáticos lastreados em experiências exitosas. Ainda bem que temos um político com a dimensão, a sensibilidade e a experiência de Lula.
Sem esses dois trunfos estaríamos nas mãos das quadrilhas de oportunistas e saqueadores, condenados a não passar de um aglomerado humano sem rumo e sem destino, explorado até a última riqueza.
Hoje, temos mais uma chance de dobrar a esquina da história e finalmente ocupar o papel que nos cabe no mundo.
Podemos romper com a triste sina escravocrata que até aqui nos define e nos oprime. Temos os meios e somos capazes de fazer a conciliação entre o progresso e a natureza; podemos acabar definitivamente com a fome e as grandes desigualdades. Temos oportunidade de apreciar a nossa diversidade humana e de experimentar o diálogo como o espaço de solução de conflitos.
Hoje, só um país reúne as condições para realizar um projeto com esta magnitude transformadora e pedagógica: o Brasil. Nosso país dispõe de riquezas naturais, recursos humanos, vitalidade social e potência criativa como poucos. E é o único que, além isso, conta um líder forte, genuíno e mundialmente reconhecido.
Lula é o cara certo, no lugar certo e na hora certa. A maioria da população sabe disso e referendou nas urnas esta visão grandiosa do Brasil e do atual governo. Mas não podemos esquecer de que uma parcela significativa desejou o caminho oposto e votou no projeto neoliberal regressivo.
Lula e o PT, certamente, estão conscientes das dificuldades e histórica missão que abraçaram. Mas nem Lula, nem o PT, nem a população estão imunes à dispersão.
Todo dia vemos na imprensa e nas redes sociais a orquestração de movimentos dispersivos, quase sempre disfarçados de preocupação com a economia e o desemprego, com o combate à corrupção e a luta contra o comunismo, entre outros ilusionismos potencializados nas avalanches de fake news, nos artigos de opiniões rastejantes e nas declarações de oportunistas.
O ideólogo e financiador da extrema-direita global Steve Bannon resumiu bem a finalidade desta tática: “Não se trata de persuadir e sim de desorientar”. A extrema-direita conservadora não quer avanços, quer retrocessos. Suas armadilhas midiatizadas têm a finalidade de distrair, atrasar e impedir as grandes mudanças.
Em vez de se distraírem reagindo a estas trapaças, Lula e o PT precisam manter os olhos no projeto grandioso que os trouxe de volta ao governo. Da mesma forma a população precisa confiar no acerto de suas decisões e na viabilidade de seus sonhos. O resto é m* jogada no ventilador para desorientar e atrasar nossa caminhada.
Nestes quase 100 dias de governo, não há dúvida de que muito foi realizado em defesa dos interesses da sociedade. Resta avaliar se a comunicação dos resultados está clara e visível, pois é no campo da disputa simbólica que se vence a guerra.
Não devemos esquecer a tragédia do passado recente, nem subestimar a capacidade destrutiva da direita radical. Na bodas de cem dias de governo Lula, agora em abril, é crucial renovar os votos de apoio ao projeto democrático de reconstrução e inserção do Brasil na experiência global contemporânea de pensar e descobrir novas formas de estar no mundo sem sofrer e sem destruir.
Imagem: Tela de Elian Almeida “O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos”, 2021


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