O senador Alexandre Silveira (PSD) voltou a defender a eleição do presidente Lula (PT) para a pacificação do Brasil, a retomada do desenvolvimento econômico e o resgate das políticas sociais no país. Durante entrevista à Globo News nesta sexta-feira (14/10), Silveira também criticou a postura “agressiva” do governador de Minas, Romeu Zema, para tentar conseguir o apoio dos prefeitos para Bolsonaro e condenou a utilização, inclusive, de Fake News no processo democrático. Segundo o senador, “o voto dos prefeitos e dos mineiros não é de cabresto”.

São dois projetos muito antagônicos de país, um representado por aquele que ataca a democracia constantemente e outro representado pelo presidente Lula que, além de pacificar o país, quer voltar com os programas tão importantes tanto no desenvolvimento econômico quanto no combate às injustiças sociais no país. Há realmente agora uma força tarefa do Zema (para conseguir apoio para Bolsonaro), mas os prefeitos que eu tenho conversado, e não são poucos, não estão dispostos a entrar neste jogo. Eles sabem que o presidente Lula foi amplamente majoritário em Minas, ganhou em mais de 600 municípios. Os prefeitos não se submeterão a esta pressão do governador”, afirmou o senador.

Silveira, que tem trabalhado na coordenação política da campanha do presidente Lula em Minas Gerais, acredita que o governador mineiro não terá capacidade de transferir votos para Bolsonaro. O Novo, partido de qual faz parte, elegeu apenas dois deputados estaduais e nenhum parlamentar para a Câmara Federal. Ele ainda afirmou que Zema foi oportunista ao esconder o apoio ao Bolsonaro no primeiro turno para conseguir votos em conjunto com o presidente Lula.

Na verdade, o governador Zema já apoiou o presidente Bolsonaro no primeiro turno, talvez não de forma explícita. O Bolsonaro teve um candidato em Minas apenas porque o governador não aceitou apoiá-lo publicamente, mas existia um acordo de bastidor claro. Eu acho que não vai lograr êxito esta estratégia, o presidente Lula vai ampliar a frente em Minas Gerais na proporção que já teve de votos no primeiro turno. Os prefeitos não aceitarão o voto de cabresto, não aceitaram. O governador não elegeu nenhum deputado federal, apenas dois deputados estaduais, demonstrando que a estratégia deu certo para a sua eleição. A prova disso foi o que aconteceu no primeiro turno com o seu candidato a senador, ele fez uma intensa pressão e não conseguiu sequer fazer o seu candidato majoritário em Araxá, que é a sua terra”, disse.

*Fake News*

Alexandre Silveira também condenou o uso de Fake News por parte do governador Romeu Zema, que pode atrapalhar, inclusive, a relação institucional.

O governador se submeteu a reproduzir uma fake News contra o presidente Lula. O presidente Lula disse de forma clara que a primeira reunião que ele fará depois de eleito será com os governadores, inclusive com o governador Zema, se dispondo inclusive a ir a Minas Gerais para discutir as grandes prioridades do Estado. O governador, no outro dia, disse que o presidente Lula ameaçou os mineiros, o que não é verdade. Ele teve uma estratégia política, que acho que foi um oportunismo ao esconder o presidente no primeiro turno, mas de forma agressiva pode comprometer uma relação que será importante para todos os mineiros e mineiras”, ponderou.

Ainda segundo ele, o governador Romeu Zema erra ao subestimar o povo mineiro tentando criar uma falsa correlação entre o governo Lula com a gestão que o antecedeu no Governo de Minas. A comparação deveria ser em plano nacional, mostrando o tanto que Lula fez para Minas em seu mandato com o que o atual presidente não fez para o Estado.

A comparação que vai ser feita agora é entre o atual presidente da república e o presidente Lula, e quando se compara o que foi feito pelo Lula em Minas Gerais nós damos de ‘balaiada’. A única coisa que o presidente Bolsonaro teve a oportunidade de fazer para Minas Gerais quase não foi feita. Nós aprovamos a inclusão de 81 municípios na área da Sudene, municípios pobres do leste do Estado, e o presidente vetou este projeto. Nós tivemos que derrubar o veto no Congresso Nacional. Ou seja, não tem nenhuma realização em Minas Gerais do presidente Bolsonaro”.

*Guerra santa*

Por fim, Silveira ainda criticou os excessos de parte dos apoiadores do Bolsonaro durante a celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, no maior templo católico do país – em Aparecida (SP), que desrespeitaram o arcebispo e as celebrações religiosas.

No eleitorado mineiro, esta questão religiosa tem um peso muito considerável. Infelizmente, o presidente Bolsonaro tenta fazer uma guerra santa no Brasil. A postura desta parte do bolsonarismo dentro de um templo católico tão importante a todos nós que professamos a fé foi uma postura muito agressiva e que terá impacto no eleitorado. Vivemos um momento triste da história”, finalizou o senador.


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