A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) declarou nesta terça-feira que Israel não cumpriu o prazo estabelecido pelos Estados Unidos para aumentar a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Em 13 de outubro, os secretários americanos Antony Blinken (Relações Exteriores) e Lloyd Austin (Defesa) enviaram uma carta ao governo israelense com exigências para facilitar a entrada de ajuda no enclave, dando a Israel 30 dias para responder sob risco de suspensão parcial da assistência militar dos EUA.
O prazo expirou nesta terça-feira, e a ONU afirma que o fluxo de ajuda permanece no nível mais baixo em um ano. Um relatório recente apoiado pela ONU alertou para uma iminente crise de fome no norte de Gaza, onde quase nenhuma ajuda entrou no último mês. A chefe do Unicef, Catherine Russell, destacou que a população do norte de Gaza enfrenta “risco iminente” de morte devido a doenças, fome e bombardeios contínuos.
Pouco antes do vencimento do prazo, Israel anunciou a abertura de um novo ponto de passagem para ajuda humanitária. Em comunicado conjunto, as Forças Armadas e o COGAT, órgão responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinos, afirmaram que a medida visa aumentar o volume de assistência à Faixa de Gaza. A promessa de abertura do ponto de passagem já havia sido mencionada pelo Departamento de Estado americano na última quinta-feira.
Na carta de outubro, Blinken especificou que Israel deveria permitir a entrada de, no mínimo, 350 caminhões de ajuda humanitária por dia até 12 de novembro. Quando questionada sobre o cumprimento dessas demandas, Louise Wateridge, coordenadora de emergências da UNRWA, respondeu de forma objetiva: “não”. Israel, por outro lado, afirma que aumentou significativamente a quantidade de ajuda enviada a Gaza, mas acusa as agências de não distribuí-la adequadamente.
“A média em outubro foi de apenas 37 caminhões por dia para toda Gaza, uma região com 2,2 milhões de pessoas que necessitam de tudo”, afirmou Wateridge à BBC. “As pessoas estão brigando por sacos de farinha; estão com fome e morrendo de inanição em algumas áreas. Essa quantidade nunca será suficiente para atender à população.”

