O Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou, neste domingo (22), uma reunião de emergência para discutir as implicações do ataque dos Estados Unidos a três instalações nucleares localizadas no Irã. A sessão será realizada na sede da ONU, em Nova York, a partir das 16h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pela TV da organização.

O pedido foi feito pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, que apelou para que o Conselho condenasse de forma inequívoca o que classificou como “ato criminoso de agressão” por parte dos Estados Unidos. Segundo ele, o governo norte-americano violou princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas e normas internacionais.

“Solicitamos que o Conselho de Segurança responsabilize Washington por seus atos ilegais contra a soberania e a segurança do Irã”, declarou Araqchi. Essa será a terceira reunião solicitada pelo Irã desde o início da ofensiva israelense no dia 13. As sessões anteriores não resultaram em resoluções ou declarações conjuntas por parte do Conselho.

Durante discurso realizado em Istambul, na Turquia, Araqchi afirmou que o Irã recorrerá a todos os meios necessários para proteger seu povo e território. Ele acusou os Estados Unidos de cruzarem uma “linha vermelha” com o bombardeio de instalações nucleares e descartou qualquer retorno imediato à diplomacia enquanto o país estiver sob ataques.

“Só consideraremos a via diplomática após darmos uma resposta proporcional aos ataques americanos”, afirmou o chanceler. Ele ainda acrescentou que o Irã avalia diversas opções de retaliação e que, neste momento, prioriza sua defesa nacional.

O ministro também anunciou que viajará à Rússia nesta segunda-feira (23) para se reunir com o presidente Vladimir Putin. A república islâmica mantém relações estratégicas com Moscou e busca reforçar seu apoio diplomático em meio ao agravamento do conflito.

Além disso, Araqchi solicitou uma reunião imediata da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele criticou duramente os bombardeios às instalações nucleares iranianas, classificando-os como uma ameaça à segurança global. “Todas essas instalações são pacíficas e estão sob monitoramento total da AIEA”, destacou.

No sábado à noite, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que ordenou o uso de bombas anti-bunker para destruir as principais estruturas nucleares do Irã, em coordenação com Israel. Segundo ele, a ação teve como objetivo desmantelar o que classificou como uma ameaça iminente.

Em resposta, Teerã lançou uma série de mísseis contra alvos em Israel. Os projéteis atingiram diversas regiões do país, incluindo Tel Aviv, onde dezenas de pessoas ficaram feridas e prédios comerciais foram destruídos, ampliando significativamente a tensão no Oriente Médio.

 

 

Foto: Andrew Kelly