A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos da nova etapa está o Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e incluem um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, as diligências ocorrem simultaneamente no Distrito Federal e nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Além das buscas, a decisão judicial determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que podem chegar a R$ 18,85 milhões. A corporação informou que a operação busca aprofundar a apuração sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis conexões entre agentes públicos e operadores do esquema investigado.
Em nota divulgada nesta manhã, a defesa de Ciro Nogueira afirmou repudiar qualquer insinuação de prática ilícita envolvendo o parlamentar. Os advogados sustentam que o senador nunca participou das atividades investigadas e reiteraram disposição para colaborar com as autoridades durante o andamento do processo.
A defesa também questionou a adoção de medidas consideradas invasivas com base em troca de mensagens entre terceiros. Segundo os representantes do senador, o caso exige rigoroso controle de legalidade pelas Cortes Superiores, especialmente diante do impacto político e institucional das investigações. O posicionamento é assinado pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Na quarta fase da Compliance Zero, realizada em abril deste ano, foram presos preventivamente o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro. Ambos são apontados pelos investigadores como integrantes do esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso desde março.
Nas quatro etapas anteriores da operação, a Polícia Federal cumpriu noventa e seis mandados de busca e apreensão em seis unidades federativas. As ações ocorreram na Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A pedido da Polícia Federal e do Ministério Público, a Justiça também determinou o sequestro e o bloqueio de bens patrimoniais de investigados até o limite de R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de suspeitos de eventuais cargos públicos. Os investigadores afirmam que a continuidade das apurações poderá revelar novos envolvidos e ampliar o alcance das medidas judiciais nos próximos meses.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

