A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre supostas irregularidades envolvendo aplicações financeiras do Rioprevidência no Banco Master revelou novas conexões entre integrantes do fundo previdenciário fluminense, operadores ligados ao mercado financeiro e personagens que já estiveram no centro de apurações da Operação Lava-Jato. Entre os nomes citados está a advogada Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de investimentos do Rioprevidência e alvo da operação deflagrada nesta semana, que também atingiu o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

Segundo as investigações, Fernanda participou do processo de credenciamento do Banco Master junto ao Rioprevidência em 2023, medida que permitiu ao banco de Daniel Vorcaro receber recursos do instituto estadual de previdência. Posteriormente, em junho de 2024, ela deixou o cargo no Rioprevidência para assumir a presidência do fundo de previdência do município de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Poucos dias após assumir o novo posto, Fernanda nomeou como assessor da presidência o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho. O nome chamou atenção dos investigadores porque Jayme foi condenado durante a Lava-Jato por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele era apontado pelas autoridades como operador financeiro ligado ao doleiro Alberto Youssef e chegou a receber pena de onze anos de prisão.

A ligação entre Jayme e o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues também passou a ser observada pela PF. Rodrigues é apontado pelos investigadores como intermediador de negociações envolvendo aplicações de fundos previdenciários no Banco Master. Em 2018, quando ambos estavam presos no complexo penitenciário de Bangu 8, no Rio de Janeiro, Jayme e Rodrigues dividiram cela e desenvolveram relação de amizade.

A própria relação entre os dois foi mencionada por Ricardo Rodrigues em documento encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça. Na petição, o empresário afirmou que Jayme percebeu seu desconforto após uma abordagem considerada indevida feita pelo advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho. Segundo Rodrigues, Jayme o aconselhou sobre como deveria agir diante da situação ocorrida dentro da unidade prisional.

Além da nomeação de Jayme no fundo previdenciário de Itaguaí, as investigações apontam que Fernanda também teria atuado informalmente como advogada de Ricardo Rodrigues em processos relacionados à Lava-Jato. A Polícia Federal apura se a proximidade entre os envolvidos teve influência em decisões relacionadas a investimentos feitos por fundos públicos em títulos ligados ao Banco Master.

Durante sua passagem pelo fundo previdenciário de Itaguaí, Fernanda autorizou a aplicação de R$ 60 milhões em papéis emitidos pelo Banco Master. A defesa da advogada sustenta que ela não participou diretamente das decisões sobre os investimentos e afirma que os valores foram resgatados posteriormente com o pagamento dos juros previstos contratualmente.

Em manifestação enviada à imprensa, os advogados de Fernanda declararam ainda desconhecer qualquer relação pessoal entre ela e Ricardo Rodrigues. Também afirmaram que

não houve irregularidade nos procedimentos adotados durante a contratação dos investimentos feitos pelo fundo municipal no Banco Master.

As investigações da PF também retomaram episódios antigos envolvendo Ricardo Rodrigues. Antes das atuais suspeitas ligadas ao Rioprevidência, o empresário já havia sido citado em apurações sobre fraudes no fundo de pensão Refer, dos trabalhadores ferroviários, caso investigado pela CPI dos Correios em 2005.

Outro personagem citado na investigação é o advogado Deivis Marcon Antunes. Ex-dirigente do Refer, ele assumiu a presidência do Rioprevidência em 2023 e foi responsável pela nomeação de Fernanda para a gerência de investimentos do órgão estadual. Deivis está preso desde fevereiro deste ano, suspeito de participação em irregularidades relacionadas à aplicação de recursos públicos em operações financeiras vinculadas ao Banco Master.

A operação realizada pela Polícia Federal na terça-feira cumpriu mandados de busca e apreensão e aprofundou a análise sobre o fluxo de recursos de fundos previdenciários estaduais e municipais destinados ao Banco Master. Os investigadores tentam identificar se houve atuação coordenada de operadores financeiros, dirigentes de institutos de previdência e agentes públicos para favorecer aplicações consideradas de risco elevado. A apuração também busca esclarecer se intermediários receberam vantagens financeiras para facilitar contratos e credenciamentos envolvendo recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e benefícios de servidores públicos em diferentes estados brasileiros.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


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