O senador Rodrigo Pacheco oficializou, na noite desta quarta-feira, sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro, marcando uma mudança partidária relevante no cenário político de Minas Gerais. Apesar do movimento, o parlamentar evitou confirmar se disputará o governo do estado nas eleições deste ano, mantendo em aberto sua decisão sobre eventual candidatura.
Durante o discurso de filiação, Pacheco afirmou que as definições políticas ainda serão construídas ao longo dos próximos meses, ressaltando que o processo deve ocorrer no próprio estado, com participação dos atores locais. Segundo ele, a articulação não deve ser conduzida a partir de Brasília, mas sim baseada na realidade e nas demandas da sociedade mineira.
O senador destacou que o PSB participará das discussões sobre a composição política em Minas, envolvendo cargos como governador, senador e deputado. Ele também criticou o que chamou de lógica de sucateamento da máquina pública no estado, defendendo a construção de um caminho alternativo.
A filiação foi articulada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vê em Pacheco um nome competitivo para liderar o campo governista em Minas Gerais. Ainda assim, o senador optou por adotar cautela e aguardar o desenrolar do cenário político até mais próximo das convenções partidárias, previstas para julho.
Pacheco relatou ter recebido uma ligação de Lula pouco antes de oficializar a filiação, gesto que, segundo ele, demonstra a importância do diálogo político no estado. Apesar do apoio, o parlamentar sinalizou que não pretende antecipar decisões.
A mudança de partido também provocou rearranjos entre aliados. Parte do grupo político ligado a Pacheco migrou para o PSB, enquanto outros foram direcionados a siglas como MDB e PSDB, refletindo a reorganização interna do campo político mineiro.
O evento contou com a presença de lideranças nacionais, como o presidente do PSB, João Campos, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Ambos destacaram a relevância de Minas Gerais no cenário eleitoral nacional e elogiaram a trajetória política de Pacheco.
Alckmin ressaltou a atuação do senador durante momentos críticos, como os atos de 8 de janeiro de 2023, destacando sua postura institucional e compromisso com a democracia. Pacheco, por sua vez, afirmou que a defesa do regime democrático se tornou uma de suas principais causas.
Nos bastidores, aliados afirmam que a postura cautelosa do senador busca evitar decisões precipitadas em um cenário ainda fragmentado. A avaliação é que o ambiente político em Minas segue indefinido, com diferentes grupos disputando espaço.
Entre possíveis adversários estão o atual governador Mateus Simões, ligado ao grupo de Romeu Zema, além de nomes como Flávio Roscoe e o senador Cleitinho.
Outros partidos também se movimentam, tentando consolidar candidaturas próprias e alianças. Diante desse cenário, a estratégia de Pacheco tem sido ganhar tempo para avaliar as condições políticas e eleitorais antes de anunciar qualquer decisão.
A expectativa é que, com o avanço das negociações, o senador defina sua posição nas próximas semanas, mantendo-se, por ora, como uma das principais peças na disputa política em Minas Gerais.
Foto: Lauriberto Pompeu / O Globo
Fonte: O Globo

