Com mais de 2.800 pessoas, Paracatu é a cidade do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste com a maior população quilombola e a 10ª em todo o estado, de acordo com o Censo 2022.

O número representa 3% da população da cidade. Porém, a história dos quilombos em Paracatu é antiga, já que há registros de quilombolas na região há 350 anos. Atualmente, cinco comunidades são reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares.

Mesmo com a primeira comunicação à coroa sobre a região onde atualmente é Paracatu ter sido feita em 1744, a presença dos quilombolas na cidade é mais antiga, antes da chegada dos bandeirantes.

Quilombos em Paracatu

Ao todo, são 13 quilombos na cidade, porém, os cinco quilombos reconhecidos oficialmente pela Fundação Cultural Palmares são:

Machadinho;
São Domingos;
Pontal;
Cercado;
Família dos Amaros.

A mestra em Educação e pedagoga, Lara Luisa, é quilombola e a bisavó fez parte do Quilombo dos Palmares, um dos símbolos da resistência negra. Já o avô fez parte do Quilombo do Américo, considerado um dos maiores do pais, que era situado na região do Triângulo e Alto Paranaíba.

Além de fazer parte da comunidade, ela é vice-presidente da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais e pesquisa sobre o tema. Lara explica sobre esse outro lado da história da cidade. “O início de Paracatu é datado da chegada dos bandeirantes, mas os quilombolas indígenas já estavam lá”.

“Os quilombos se estabelecem em Paracatu fugindo de Diamantina, de Ouro Preto. ‘Quilombo’ é um quartel de defesa. Eles se estabeleceram ali fugindo da escravidão”, disse.

Nessa origem da cidade, uma das principais atividades econômicas era a exploração do ouro existente na área, que era feita pelos próprios quilombolas.

Racismo Institucional

Mesmo com uma história antiga, o reconhecimento dos quilombolas é recente e, constitucionalmente, tem menos de 50 anos. Foi a partir da Constituição Federal 1988 que as comunidades remanescentes de quilombos tiveram direito à terra por elas ocupadas.

Esse reconhecimento tardio impactou na falta de vários direitos. De acordo com Lara, o principal problema é justamente o racismo estrutural.

“O [racismo] mais forte é na identidade. Não trabalham a origem quilombola da população. As escolas não trabalham essas questões, os estudantes quilombolas não se veem no currículo escolar”, detalhou.

Outro ponto é o racismo religioso, segundo a pesquisadora. Mesmo a cidade tendo muitos terreiros de umbanda e candomblé.

Reconhecimento

Os dados sobre os quilombos no Brasil são inéditos, já que é a primeira vez que o Censo incluiu em seus questionários perguntas para identificar pessoas que se autodenominam quilombolas.

Na atual legislatura, Paracatu conta com cinco vereadores quilombolas;

O maior bairro da cidade, o Paracatuzinho, também é um bairro quilombola;

Ainda assim, as comunidades enfrentam uma série de dificuldades.

No caso da comunidade de Cercado, o problema é relacionado à água. No caso de Machadinho, os problemas são relacionados à uma mineradora e o uso das terras deles.

“Outros problemas são na educação e a saúde. A maioria dos quilombos não tem posto de saúde. Por exemplo, Paracatuzinho, que é o maior quilombo urbano, o posto de saúde ficou por dois anos em reforma”, concluiu Lara.

Por todos esses fatores, os avanços e o reconhecimento das comunidades são importantes para garantir os direitos para os quilombolas.


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