O líder do PDT na Câmara dos Deputados, Mário Heringer (MG), declarou nesta terça-feira, 6, que a bancada do partido deixará de integrar a base de apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estamos nos colocando em independência”, afirmou Heringer durante coletiva realizada na liderança do PDT.
Na ocasião, o parlamentar também informou que a bancada está autorizada a subscrever os pedidos de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fraudes no INSS. Contudo, estabeleceu uma condição: o escopo da apuração deverá abranger o período a partir de 2019, incluindo a convocação de ministros e secretários da gestão anterior, além de uma solicitação expressa para que a Polícia Federal investigue os fatos desde aquela data.
A decisão do PDT foi definida em uma reunião realizada pela manhã na residência do próprio Heringer, com a presença do presidente licenciado do partido, Carlos Lupi. O líder descreveu o encontro como “duro”, destacando que os problemas no relacionamento com o governo federal são antigos e que a recente crise envolvendo o INSS foi apenas o fator decisivo para a ruptura. “Foi o pingo d’água que faltava para o copo transbordar”, declarou.
Apesar do afastamento da base governista, Heringer esclareceu que o partido não migrará para a oposição. “Não temos afinidade com a oposição. Vamos atuar com independência, votando conforme os interesses do País e dos Estados”, explicou. Segundo ele, a decisão não deve ser interpretada como retaliação ou antagonismo ao governo.
O líder do PDT também afirmou que, em votações futuras, a bancada poderá adotar uma postura distinta em relação aos projetos defendidos pelo Executivo. “Quando houver divergências, é mais simples liberar os deputados para votar como acharem melhor. Não faz sentido continuar votando como antes, seria trocar seis por meia dúzia”, observou.
Heringer ressaltou ainda que a falta de reciprocidade e respeito por parte do governo Lula contribuiu para a decisão. “O governo não estava oferecendo o reconhecimento que julgamos merecer”, pontuou.
Embora tenha sinalizado a possibilidade de um eventual retorno à base aliada, Heringer destacou que isso dependerá das atitudes do governo e não de negociações por cargos ou benefícios. “Não estamos trocando benesses para voltar. As ações do governo dirão se é possível retomar essa aliança”, concluiu.
Ele acrescentou que a bancada buscará se posicionar como uma alternativa ao atual cenário político polarizado e que pretende contribuir para a construção de um novo caminho em 2026.
Por meio de nota, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou respeitar a decisão do PDT e garantiu que o diálogo com o partido continuará. “Seguiremos dialogando e contando com o apoio do PDT em matérias de interesse do País”, afirmou.
Foto: Paulo Sergio/Câmara dos Deputados

