A Petrobras está em busca de novos campos de petróleo em países africanos para recompor suas reservas e evitar a redução da produção prevista para a década de 2030. A estratégia de aquisição de poços, especialmente em Angola, Namíbia e África do Sul, foi destacada pela diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, durante evento na Índia.
Segundo a diretora, a Petrobras já mantém diálogo com gigantes do setor, como ExxonMobil, Shell e TotalEnergies, empresas que atuam como parceiras da estatal no Brasil. A retomada das operações no continente africano começou em fevereiro de 2024, quando a companhia concluiu a compra de participações em três blocos exploratórios em São Tomé e Príncipe. No mesmo ano, a empresa obteve aprovação do Conselho de Administração para atuar na África do Sul, onde pretende adquirir participação no bloco Deep Western Orange Basin (DWOB), aguardando autorização governamental.
Além do interesse na África, a Petrobras também busca expandir suas operações na Margem Equatorial brasileira e na Bacia de Pelotas, ambas consideradas promissoras. A Margem Equatorial, situada no litoral norte do país, tem sido alvo de debates ambientais, uma vez que a exploração depende da autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou interesse na autorização da exploração na região.
A Bacia de Pelotas, localizada no sul do Brasil, também desperta interesse da companhia devido à descoberta de petróleo em regiões com características geológicas semelhantes, como Uruguai, Namíbia e África do Sul. Atualmente, a Petrobras possui 29 poços de exploração na área.
Na América do Sul, a estatal registrou avanços importantes. Na Colômbia, anunciou, em dezembro de 2024, a descoberta da maior reserva de gás da história do país no poço Sirius-2. Esse campo, explorado em parceria com a Ecopetrol, pode dobrar as reservas colombianas e, futuramente, abastecer o Brasil. Outros dois poços, Buena Suerte e Papayuela, estão sendo analisados para ampliar a produção.
Na Argentina, a Petrobras mantém uma participação de 33,6% no ativo Rio Neuquén. Já na Bolívia, atua nos campos de San Alberto e San Antonio, com participação de 35% em cada um, garantindo fornecimento de gás para Brasil e Bolívia.
Nos Estados Unidos, a Petrobras participa de projetos em águas profundas no Golfo do México por meio da joint venture MPGoM, formada com a Murphy Exploration & Production Company, onde detém 20% de participação.
A produção da Petrobras atingiu 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2024, sendo mais de 80% provenientes do pré-sal. No fim de janeiro, a estatal anunciou que suas reservas provadas de óleo, condensado e gás natural somavam 11,4 bilhões de barris de óleo equivalente, sendo 85% de óleo e condensado e 15% de gás natural.
Diante desse cenário, a Petrobras reforça a importância de investir na recuperação de reservas, explorar novas fronteiras e diversificar seu portfólio para manter sua produção sustentável ao longo das próximas décadas.
Foto: SBM/Divulgação

