A Petrobras anunciou a destituição do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, após a realização de um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) que registrou ágio superior a 100%. A decisão foi tomada na noite de segunda-feira (6), durante reunião do Conselho de Administração da companhia.

Schlosser era responsável pela área que conduziu o certame realizado na semana passada, no qual o gás de cozinha foi vendido a distribuidoras por valores que chegaram a mais que o dobro do preço de referência. O episódio gerou forte repercussão e críticas dentro e fora do governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente o leilão, afirmando que a operação ocorreu em desacordo com orientações da própria estatal e do governo federal. Em declaração, classificou o episódio como inadequado e indicou a possibilidade de revisão da venda.

Após as críticas, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis realizou fiscalização em unidades da Petrobras para apurar indícios de práticas de preços elevados no leilão. A investigação busca esclarecer as condições da comercialização e eventuais irregularidades no processo.

O contexto do leilão foi marcado por alta nos preços internacionais do petróleo e de derivados, influenciada por tensões geopolíticas. Esse cenário elevou a preocupação com possíveis impactos no abastecimento e nos preços internos de combustíveis, especialmente do GLP, amplamente utilizado por famílias brasileiras.

No mesmo período, o governo federal estudava medidas para mitigar os efeitos da alta internacional, incluindo a redução de tributos e a adoção de subsídios para o diesel e o gás de cozinha. A decisão de afastar o diretor ocorreu no mesmo dia em que essas ações foram anunciadas, reforçando a tentativa de alinhar a atuação da estatal às diretrizes governamentais.

Com a saída de Schlosser, a diretoria será assumida por Angélica Laureano, que ocupava o cargo de diretora de Transição Energética e Sustentabilidade. Já William França, diretor de Processos Industriais e Produtos, acumulará temporariamente as funções anteriormente exercidas por Laureano.

Claudio Schlosser, engenheiro químico e advogado, ingressou na Petrobras em 1987 e estava na diretoria desde março de 2023. Sua saída ocorre em meio a um momento de reorganização interna e ajustes na governança da companhia.

O Conselho de Administração da Petrobras também anunciou mudanças em sua presidência. Marcelo Weick Pogliese foi eleito para comandar o colegiado até a próxima assembleia-geral, prevista para ocorrer nos próximos dias. Ele substitui Bruno Moretti, que deixou o cargo para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento.

O conselho é responsável por definir diretrizes estratégicas da estatal e conta com membros indicados pelos acionistas, sendo o governo federal o principal controlador. Nesse contexto, também foi indicada a nomeação de Guilherme Santos Mello para a presidência do colegiado, sujeita à análise de requisitos legais.

A Petrobras destacou que a indicação seguirá os trâmites de governança e avaliação de integridade antes de eventual confirmação. Mello possui formação acadêmica em economia e experiência em políticas públicas, além de participação em conselhos de empresas estatais.

A destituição do diretor ocorre em um momento sensível para o setor energético, marcado por oscilações no mercado internacional e pressões internas por estabilidade de preços. O episódio do leilão de GLP reforçou o debate sobre a política de comercialização da Petrobras e o papel da empresa na regulação do mercado nacional.

Analistas avaliam que a decisão da companhia busca sinalizar maior controle sobre suas operações e alinhamento com as diretrizes do governo. Ao mesmo tempo, a mudança na diretoria pode influenciar futuras estratégias de venda e distribuição de combustíveis, especialmente em um cenário de incertezas globais e demanda interna elevada.

Foto: Arquivo/Agência Brasil


Avatar

administrator