A manhã deste domingo, segundo dia de Jair Bolsonaro detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, começou em clima de calmaria, contrastando com a movimentação intensa registrada no sábado após a prisão preventiva determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. No início do dia, apenas cinco apoiadores estavam no local, mantendo uma presença discreta diante da sede da PF. O único fluxo registrado foi o de um veículo que compareceu ao prédio para entregar medicamentos destinados ao ex-presidente.

Apesar de algumas buzinas esporádicas de carros e motos que passavam pela região, não houve aglomerações, bandeiras ou manifestações organizadas. Bolsonaro chegou à Superintendência da PF pouco antes das 7h de sábado, horário em que teve início a concentração de apoiadores e opositores, que se estendeu por boa parte do dia. Na manhã de domingo, entretanto, o cenário era completamente diferente, com ruas tranquilas e presença mínima de pessoas.

Bolsonaro participará hoje, ao meio-dia, de audiência de custódia realizada por videoconferência a partir da própria Superintendência da PF. O procedimento é obrigatório em todos os casos de prisão — inclusive nas determinadas pelo STF — e tem como objetivo avaliar se a detenção respeitou as garantias legais e se o preso teve seus direitos assegurados. A audiência não trata do mérito da investigação e não reavalia a decisão que fundamentou a prisão preventiva.

A prisão de Bolsonaro ocorreu após ele tentar violar a tornozeleira eletrônica instalada como medida cautelar. Em vídeo gravado por uma servidora do governo do Distrito Federal, enviada ao local após alerta do sistema de monitoramento, o ex-presidente admitiu ter utilizado um ferro de solda na tentativa de abrir o equipamento. O caso levou Moraes a determinar a prisão preventiva. A detenção, contudo, não está relacionada à condenação de 27 anos e três meses pela trama golpista, processo que ainda não transitou em julgado e segue com prazos recursais abertos.

Na noite de sábado, a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio onde o pai estava cumprindo prisão domiciliar terminou em confusão. O ato, que reuniu cerca de cem apoiadores para rezar “pela saúde e pela liberdade” de Bolsonaro, começou por volta das 20h em uma rotatória próxima ao condomínio. O episódio se agravou quando Ismael Lopes, de 34 anos, que inicialmente se apresentou como pastor, pediu para discursar.

Chamado ao microfone pelo próprio Flávio Bolsonaro, Lopes leu uma passagem bíblica afirmando que “quem cava covas por elas será engolido” e defendeu a condenação de Bolsonaro pela condução da pandemia de Covid-19, que resultou em 700 mil mortes no Brasil. A fala gerou forte reação do público, que passou a hostilizá-lo. Lopes foi perseguido e agredido com socos e pontapés; sua camisa chegou a ser rasgada. A Polícia Militar interveio usando spray de pimenta e o escoltou até um carro de aplicativo.

Flávio Bolsonaro tentou pedir calma e impedir as agressões, mas não foi atendido. Após o tumulto, os organizadores encerraram a vigília. Também estavam presentes no local os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Izalci Lucas (PL-DF), além dos deputados Hélio Lopes (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF).

 

 

Foto: Bruna Lessa


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