A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quarta-feira uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. A ação ocorre em diferentes estados e mira associações suspeitas de aplicar cobranças sem autorização de beneficiários da Previdência Social.
Ao todo, os agentes cumprem 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal. As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação busca aprofundar as investigações sobre crimes contra a administração pública, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial. Os investigadores identificaram indícios de que parte dos suspeitos estaria tentando transferir ou esconder bens para dificultar futuras medidas judiciais de bloqueio e ressarcimento às vítimas.
Entre os alvos estão grupos ligados a associações que atuavam em Brasília, São Paulo e no município de Garanhuns. A investigação cita entidades como Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Andapp, Aasap, Unibap, Abenprev e Abapen.
As apurações indicam que sindicatos e associações de aposentados realizavam descontos automáticos diretamente nos contracheques de beneficiários do INSS sem autorização formal. Em muitos casos, os aposentados só descobriam as cobranças ao consultar extratos de pagamento ou ao perceber redução inesperada nos valores recebidos mensalmente.
As entidades afirmavam oferecer benefícios como assistência jurídica, convênios médicos, academias e serviços de apoio aos aposentados. Entretanto, segundo auditorias da CGU, muitas dessas organizações não possuíam estrutura real para prestar os serviços prometidos aos associados.
A investigação ganhou força em abril do ano passado, quando PF e CGU revelaram a existência de um esquema bilionário envolvendo descontos ilegais em benefícios previdenciários. As estimativas apontam prejuízo próximo de R$ 6,3 bilhões aos aposentados e pensionistas.
Na ocasião, integrantes da cúpula do INSS foram afastados por suspeitas de envolvimento no esquema fraudulento. Os investigadores acreditam que os descontos ilegais eram viabilizados por meio de acordos de cooperação técnica firmados entre as associações e a autarquia federal.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

