Um relatório produzido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro teria custeado hospedagens em Lisboa para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e para o senador Ciro Nogueira durante viagem realizada entre dois mil e vinte e quatro. O documento, elaborado pelos investigadores e tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, trouxe novos detalhes sobre a relação entre o empresário e figuras de destaque da política nacional. As informações integram o conjunto de apurações relacionadas ao chamado caso Master, que investiga supostos favorecimentos, vantagens indevidas e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Segundo a Polícia Federal, mensagens extraídas do telefone celular de Daniel Vorcaro indicam que o banqueiro solicitou a um colaborador identificado como Leo Serrano a reserva de hospedagem na capital portuguesa para duas pessoas identificadas como “Ciro e Hugo”. Os investigadores concluíram que a referência era direcionada ao senador Ciro Nogueira e ao deputado Hugo Motta. As conversas analisadas apontam que a solicitação ocorreu em junho de dois mil e vinte e quatro e envolveu a contratação de acomodações em um hotel de alto padrão localizado em Lisboa.

Ainda de acordo com o relatório, após a realização das reservas, Vorcaro enviou uma mensagem de áudio demonstrando preocupação com a privacidade do encontro. Conforme a transcrição incluída pelos investigadores, o banqueiro teria discutido medidas para evitar exposição pública e limitar a visualização de atividades que ocorreriam nas dependências do local escolhido para a hospedagem. Para a Polícia Federal, esse comportamento reforçou o interesse em manter discrição sobre a presença dos convidados e sobre os compromissos realizados durante a estadia em Portugal.

A investigação também identificou uma fatura eletrônica encontrada em correspondências vinculadas ao banqueiro. O documento registraria a contratação de duas suítes destinadas especificamente a Hugo Motta e Ciro Nogueira, informação que, segundo os investigadores, ajudou a confirmar a identidade dos beneficiários da despesa. Apesar da citação no relatório, Hugo Motta não figura entre os investigados na operação. Já Ciro Nogueira permanece no rol de pessoas investigadas e foi alvo de medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal em fases anteriores da apuração.

Além das hospedagens em Lisboa, a Polícia Federal destacou outros episódios envolvendo viagens internacionais supostamente financiadas por Vorcaro em benefício do senador. Os investigadores mencionam deslocamentos para destinos como Paris, Nova Iorque e Courchevel, tradicional estação de esqui localizada nos Alpes franceses. A corporação concluiu que os gastos atribuídos ao parlamentar alcançaram valor expressivo, sem considerar despesas relacionadas a aeronaves privadas utilizadas em parte dos trajetos.

Questionado por jornalistas sobre o conteúdo do relatório, Hugo Motta afirmou estar tranquilo em relação às conclusões apresentadas pela Polícia Federal. O presidente da Câmara declarou que esteve em Lisboa para participar de um evento jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes e minimizou qualquer suspeita relacionada à viagem. Até o momento da divulgação do relatório, o senador Ciro Nogueira não havia apresentado manifestação pública sobre as informações reunidas pelos investigadores. O material agora integra os autos que seguem sob

análise do Supremo Tribunal Federal e poderá subsidiar futuras decisões no decorrer das investigações.

Foto: Sindicato dos policiais federais-DF


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