A Polícia Federal intimou Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), sua esposa, e seu cunhado, Celso Luiz de Oliveira, para prestar depoimento nesta quinta-feira (22). A convocação ocorre após o vazamento de mensagens de WhatsApp de Tagliaferro, reveladas pelo jornal *Folha de S.Paulo*. Essas mensagens trouxeram à tona a utilização informal de estruturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para auxiliar investigações no STF, durante o período em que Moraes presidia a Corte Eleitoral.

Tagliaferro, que liderava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) no TSE, foi preso em 9 de maio de 2023 e exonerado do cargo no mesmo dia. Pouco depois, seu cunhado entregou à Polícia Civil de São Paulo o celular que estava em posse de Tagliaferro. A investigação foi solicitada pelo próprio Moraes, após as mensagens se tornarem públicas.

Os diálogos vazados mostram o juiz auxiliar Airton Vieira, do gabinete de Moraes no STF, pedindo a Tagliaferro a produção de relatórios sobre postagens de pessoas investigadas no inquérito das fake news. Esses relatórios, utilizados para embasar medidas do STF, nem sempre eram formalizados como documentos oficiais do TSE. Em alguns casos, Vieira solicitou mudanças ou forneceu orientações sobre a produção dos relatórios. Em mensagens reveladas, o próprio Vieira reconhece que tais pedidos poderiam suscitar questionamentos, sugerindo que a situação poderia parecer “descarada” se fosse formalmente questionada.

A defesa de Tagliaferro afirmou ter sido surpreendida pela abertura do inquérito e solicitou ao STF o adiamento do depoimento até que tivessem acesso completo aos autos do processo.

O caso provocou reações dentro do STF. Ministros como Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia saíram em defesa de Moraes. Durante uma sessão plenária em 14 de agosto, Moraes defendeu suas ações, afirmando que todos os alvos dos relatórios já estavam sendo investigados em outros inquéritos conduzidos pelo STF, como o das fake news e das milícias digitais. Ele ressaltou que todas as decisões relacionadas aos relatórios foram mantidas pelo plenário do Supremo.


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