O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou nesta segunda-feira (21) que solicitou a inclusão de vídeos recentes do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em um inquérito já em andamento contra o parlamentar. O processo apura se Eduardo cometeu crimes como coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Rodrigues afirmou que os vídeos foram enviados à Diretoria de Inteligência da PF. “Já encaminhei formalmente os vídeos em que o cidadão ameaça o STF e a Polícia Federal, para ações de polícia judiciária”, declarou.

No último domingo, durante uma transmissão ao vivo, Eduardo Bolsonaro fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e defendeu sua remoção da Corte. “O ideal seria ele fora do STF. Trabalharei para isso também, tá, Moraes? Nosso objetivo será te tirar da Corte. Você não é digno de estar no topo do Judiciário”, afirmou o deputado. Ele também classificou o ministro como “medíocre com a caneta na mão”.

Além das críticas a Moraes, Eduardo mencionou nominalmente o delegado Fábio Alvarez Shor, da Polícia Federal, sugerindo represálias. “Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo. Deixa-me saber não, hein! Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Shor se ele conhece a gente. Está movendo um PAD contra mim, né? Ele acha que eu estou preocupado com meu futuro na PF”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro é escrivão da PF, atualmente licenciado, e já respondeu a um processo administrativo disciplinar. A inclusão dessas declarações na investigação visa reforçar os indícios de ameaças a instituições e autoridades públicas.

Na última sexta-feira (18), a PF realizou operação de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por decisão de Moraes, ele passou a usar tornozeleira eletrônica e está sujeito a recolhimento domiciliar noturno. A ação foi motivada por suspeitas de coação, tentativa de golpe e atentado à soberania nacional.

No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro publicou críticas em inglês nas redes sociais, chamando Moraes de “gângster político de toga” e acusando-o de usar o STF como “arma pessoal”.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil


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