A Polícia Federal identificou que uma estrutura paralela criada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) realizou levantamentos sobre 152 bispos da Igreja Católica que assinaram um manifesto com críticas ao então presidente Jair Bolsonaro, em 2020.
Segundo relatório final enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a ação foi motivada por um pedido do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que solicitou a elaboração de um perfil detalhado de cada religioso signatário do documento. “O emprego de recursos humanos, tecnológicos e financeiros da agência se deu em razão de manifesto da Igreja Católica assinado por 152 bispos”, afirma o relatório.
A investigação foi iniciada após a revelação de que a Abin adquiriu, em 2023, um sistema espião usado para rastrear alvos sem autorização judicial. A denúncia foi publicada pelo jornal “O Globo”.
O manifesto dos bispos, divulgado em julho de 2020, denunciava uma grave crise no país, com “colapso econômico”, crise sanitária e “tensão sobre os fundamentos da República”, atribuídos diretamente à postura de Bolsonaro.
“O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma ‘economia que mata’, centrada no mercado e no lucro a qualquer preço”, destacava o texto.
Entre os signatários estavam dom Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, falecido em 2022, e dom Leonardo Ulrich, à época arcebispo de Manaus, que viria a ser nomeado cardeal.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

