O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), informou que a legenda retomará a obstrução das votações, em resposta à decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de adiar a análise da proposta que extingue o foro privilegiado. Ao contrário do que ocorreu na semana anterior, o plano da oposição não prevê ocupação física do plenário, mas a utilização de recursos regimentais para atrasar a tramitação de matérias.

A estratégia foi interpretada por alguns líderes como “balão de ensaio”, considerando que 14 deputados tiveram suas condutas analisadas após a obstrução anterior, gerando receio de punições mais severas.

Nós entendemos isso (não pautar o foro privilegiado), mas não abriremos mão da nossa obstrução. Na quinta-feira, esperamos que venha a pauta e, na semana que vem, resolvemos isso”, declarou Cavalcante, referindo-se à Proposta de Emenda à Constituição sobre o tema.

O deputado evitou críticas diretas a Motta: “Não acho que seja desrespeito. É prerrogativa dele.”

Integrantes do PL afirmam que a obstrução será mantida até que a proposta volte a ser discutida, conforme compromisso anterior com os líderes. Cavalcante disse acreditar que o assunto será incluído na pauta a partir da próxima quinta-feira, quando os líderes definem a agenda da semana subsequente.

A forma de obstrução será diferente da anterior, quando parlamentares impediram as votações ocupando a Mesa da Câmara. Desta vez, permitirão a abertura das sessões, mas atuarão para impedir a formação de quórum. A pauta da semana, no entanto, já está esvaziada.

Em meio à tensão, Motta deixou de pautar projetos relevantes, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R\$ 5 mil. Questionado sobre o assunto, Cavalcante minimizou: “Nem o relator do projeto está confortável para votar.”

Foto: Najara Araujo / Câmara dos Deputados

 


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