O Partido Liberal classificou como “incabível” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido para que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra pena em regime domiciliar. A legenda também manifestou indignação diante da informação de que o ex-mandatário caiu dentro da cela onde está custodiado e bateu a cabeça, fato ocorrido nesta terça-feira na Superintendência da Polícia Federal.
Em nota oficial, o Partido Liberal afirmou estar “inconformado” com o episódio e declarou solidariedade a Bolsonaro e à família. “O Partido Liberal está inconformado com o acidente ocorrido com Jair Bolsonaro na cela da PF e, sendo o maior partido de direita do Brasil, registra a indignação de seus filiados e dá voz a milhões de cidadãos conservadores deste país que estão ao lado de Jair Messias Bolsonaro e sua família”, diz o comunicado divulgado pela sigla.
O partido também criticou de forma direta os fundamentos utilizados para manter o ex-presidente preso, destacando o estado de saúde e a idade avançada. Segundo a nota, a decisão mantém “encarcerado” um homem de setenta anos, com histórico médico delicado. “Estão mantendo encarcerado um homem com setenta anos de idade, recém-operado, com saúde debilitada em decorrência da facada que levou em dois mil e dezoito, em tentativa de assassinato político que, até hoje, encontra-se em investigação”, afirmou o PL.
Bolsonaro foi condenado em novembro a vinte e sete anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde então, sua defesa vem apresentando pedidos relacionados às condições de custódia e à possibilidade de cumprimento de pena em regime domiciliar, todos rejeitados até o momento pelo relator do caso no Supremo.
Também nesta terça-feira, Alexandre de Moraes avaliou que “não há nenhuma necessidade de remoção imediata” do ex-presidente da unidade da Polícia Federal após a queda. O ministro determinou a apresentação do laudo médico elaborado pelos profissionais da PF que prestaram o primeiro atendimento e solicitou que a defesa detalhasse quais exames pretende realizar, para avaliar se eles podem ser feitos na própria superintendência.
Na sequência, os advogados protocolaram um pedido médico requerendo a realização de tomografia e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma, exame que avalia a atividade cerebral. “Tais exames mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica do peticionário, sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado”, argumentou a equipe jurídica.
Antes disso, a defesa já havia solicitado autorização para que Bolsonaro fosse levado a um hospital para exames clínicos e de imagem. Em resposta, Moraes citou nota divulgada pela Polícia Federal, segundo a qual foram constatados apenas ferimentos leves, sem indicação de encaminhamento hospitalar imediato, sendo recomendada apenas observação.
“Dessa maneira, não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal”, escreveu o ministro. Ele ressaltou, contudo, que a defesa “tem direito à realização de exames, desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade”, razão pela qual solicitou informações adicionais.
A informação sobre a queda foi divulgada inicialmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que relatou nas redes sociais que o ex-presidente teve uma crise de soluços enquanto dormia, caiu e bateu a cabeça em um móvel dentro da cela.
Foto: Cristiano Mariz

