Três dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) impor medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o Partido Liberal (PL) passou a organizar uma força-tarefa para manter o ex-mandatário em evidência nas redes sociais, mesmo com a proibição de uso direto ou indireto dessas plataformas. Parlamentares da legenda se reuniram nesta segunda-feira (21) na liderança da Câmara dos Deputados para discutir estratégias de comunicação e alinhar o discurso em defesa de Bolsonaro, diante das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.
A decisão de Moraes foi endurecida nesta segunda-feira: Bolsonaro não poderá participar de transmissões ao vivo em nenhuma plataforma, nem mesmo por meio de contas de terceiros. Qualquer desrespeito à medida poderá resultar em sua prisão por descumprimento de ordem judicial. A medida frustrou os planos de aliados, que contavam com aparições em lives como forma de mobilizar a militância bolsonarista e manter a narrativa da perseguição judicial viva.
Diante do risco jurídico, os advogados de Bolsonaro recomendaram que ele se afaste dos holofotes. Já na segunda-feira, o ex-presidente cancelou duas entrevistas que estavam programadas para a tarde, temendo que qualquer declaração pública fosse interpretada como violação das medidas impostas pelo STF.
Em resposta, deputados federais do PL decidiram intensificar suas publicações em redes sociais e reforçar a presença digital bolsonarista. Durante a reunião, houve cobrança para que parlamentares com baixa atividade digital passassem a compartilhar mais conteúdos, sobretudo em defesa do ex-presidente.
Enquanto a legenda se articula no Congresso, outra frente de crise ganhou força nos bastidores da direita: o atrito entre Eduardo Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A tensão foi desencadeada pela movimentação de Tarcísio para dialogar com o governo dos Estados Unidos e com empresários, numa tentativa de conter os efeitos do tarifaço anunciado por Donald Trump, que prevê sobretaxa de 60% sobre produtos brasileiros.
Eduardo Bolsonaro interpretou a iniciativa do governador como um gesto de submissão às elites e chegou a classificar a ação como “subserviência servil”. A crise interna provocou mobilização urgente do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Ciro Nogueira (PP-PI), que se reuniram no último dia 18 com Jair e Flávio Bolsonaro para conter o desgaste entre os dois aliados.
Às 16h daquele mesmo dia, Bolsonaro concedeu entrevista ao site Poder360 já em tom conciliador. Disse que “botaram uma pedra” sobre o desentendimento, afirmou que Tarcísio continua sendo seu “irmão mais novo” e defendeu que “não podemos nos dividir”. Ele também amenizou as críticas do filho, dizendo que Eduardo “não é tão maduro, talhado para a política”, o que desagradou o deputado.
Incomodado, Eduardo ligou para o pai na presença de aliados e expressou descontentamento, interpretando o comentário como desqualificação de sua atuação nos Estados Unidos. A cobrança fez efeito. Na mesma noite, durante entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro mudou o discurso. Passou a exaltar Eduardo e criticar Tarcísio.
“Eduardo tem 40 anos de idade, é uma pessoa responsável. Ele abriu mão de tudo, é o deputado mais votado da história do Brasil e sabe que, se voltar, será preso. O trabalho dele nos Estados Unidos precisa ser reconhecido. Não adianta um governador querer resolver isso sozinho no Brasil. Quem resolve está lá fora”, disse Bolsonaro, em trecho da entrevista que ele próprio compartilhou nas redes.
Com as movimentações limitadas pela Justiça, Bolsonaro deverá depender integralmente da atuação digital de seus aliados. O PL aposta nessa mobilização para manter o ex-presidente no centro do debate público enquanto se desenrola o julgamento que pode resultar em sua condenação ainda neste segundo semestre.
Foto.: Beto Barata/ PL

