O Palácio do Planalto optou pela demissão do segundo na hierarquia da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alessandro Moretti, em meio a alegações de que ele teria obstruído investigações da Polícia Federal sobre alegado monitoramento ilegal de autoridades pela Abin durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, mostra resistência em substituir o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, com quem mantém proximidade.

Moretti, atualmente em férias, deverá retornar a Brasília na quarta-feira para prestar esclarecimentos à PF sobre as acusações que pesam contra ele. A decisão de demiti-lo já está tomada, uma vez que seu nome foi mencionado nas investigações sobre um possível conluio entre os investigados na operação e a atual direção da Abin.

A situação de Corrêa é mais complexa, pois Lula expressou sua confiança no diretor-geral da PF durante seu segundo mandato. Apesar das pressões de parlamentares e do STF para sua demissão, Lula enfatiza a confiança em Corrêa, apontando para a dificuldade de encontrar um substituto adequado.

A exposição de ministros do STF ao suposto monitoramento ilegal pela Abin intensificou as pressões sobre Lula para efetuar mudanças na agência, argumentando que o governo atual não soube lidar adequadamente com a situação, mantendo bolsonaristas em cargos importantes.

Embora a informação de que a Abin também teria monitorado parlamentares de oposição no governo Bolsonaro tenha gerado movimentações no Congresso, a implementação de propostas para alterações no escopo da agência e questões de transparência, assim como a ampliação da supervisão da Comissão Mista de Atividades de Inteligência (CCAI), enfrentam resistência e podem demandar tempo para avançar.


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