A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13), a quinta fase da Operação Sisamnes, que investiga um esquema de compra e venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação visa aprofundar apurações sobre crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, mercado de câmbio paralelo e organização criminosa. Estão sendo cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em três estados, além do sequestro de bens que somam aproximadamente R$ 20 milhões.

Segundo a PF, a organização criminosa criou uma complexa estrutura empresarial e financeira voltada à ocultação da origem ilícita de recursos provenientes do pagamento de propinas. O objetivo seria evitar que os valores fossem diretamente vinculados a servidores públicos corrompidos. A rede contaria com a participação de empresários, operadores financeiros e casas de câmbio, utilizadas para dissimular a circulação do dinheiro.

Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigados estão proibidos de deixar o país. Entre os alvos da operação está o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como peça-chave do esquema. A Primeira Turma do STF decidiu manter sua prisão preventiva nesta segunda-feira (12). O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, afirmou que há fortes indícios de que Andreson exercia papel central no comando da estrutura criminosa, que envolveria intermediários, advogados e servidores do STJ.

A operação ganhou força após a análise de mensagens interceptadas em fases anteriores da investigação. Em março, outra etapa da Operação Sisamnes foi executada, focando na obstrução da Justiça e no vazamento de informações sigilosas do STJ. Na ocasião, a PF descobriu uma rede clandestina dedicada ao monitoramento de processos sensíveis, inclusive com o intuito de interferir em decisões e em operações policiais.

As mensagens analisadas mostraram que servidores lotados em gabinetes de ministros do STJ estariam envolvidos nas negociações. Em um dos diálogos interceptados, Andreson de Oliveira Gonçalves conversa com o advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, no Mato Grosso. O conteúdo indica que ambos celebravam o êxito de uma petição que, segundo a PF, reproduziu fielmente uma decisão da ministra Isabel Gallotti. Um dos citados nos diálogos é um ex-chefe de gabinete da magistrada. Os ministros do STJ, contudo, não figuram como investigados.

A partir da análise do celular de Zampieri, a Polícia Federal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instauraram investigações que trouxeram à tona indícios contundentes sobre a atuação da organização criminosa. A Operação Sisamnes continua em andamento e novas fases não estão descartadas.

Foto: Reprodução/PF

 


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