Ao longo de mais de dois anos de pandemia, as máscaras foram equipamentos essenciais no esforço de diminuir a disseminação do coronavírus e também um símbolo da presença da COVID-19 na vida cotidiana.

O anúncio de que elas deixam de ser obrigatórias também em locais fechados de Belo Horizonte a partir desta quinta-feira (28/4) foi recebido pela população com alívio – sinal de que o momento mais crítico foi, de vez, deixado para trás. Apesar do avanço, especialistas fazem ressalvas a respeito da liberação e pedem cautela.

Com os números da pandemia controlados, muitos moradores da capital esperavam ansiosamente o anúncio de que as máscaras seriam liberadas de forma mais ampla. É o caso da estudante Ester Souza, de 17 anos, que vê na medida um sinal de que a doença está controlada. “Vai ser um alívio, depois de dois anos em que muita coisa aconteceu, porque a doença chegou do nada e deixou todo mundo com medo. Agora, estamos mais leves, mais tranquilos e vacinados”, diz.

A análise dos especialistas sobre a desobrigação, no entanto, é reticente. Para o médico e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estêvão Urbano, tirar a máscara, neste momento, é uma decisão compreensível, embora demande cuidados.

“É muito importante manter máscara no transporte público e nos hospitais. E, principalmente, [nos rostos dos] grupos de maior risco, [como] idosos e gestantes. O ideal, talvez, seja manter as máscaras. É muito cíclico: países que tiraram de forma rápida tiveram um rebote”, afirma o especialista, que compôs o comitê montado pela prefeitura para monitorar o avanço da infecção na capital.

Em Belo Horizonte, a liberação das máscaras em ambientes fechados está atrelada ao avanço da vacinação infantil. Recém-empossados, o prefeito Fuad Noman (PSD) e a secretária de Saúde, Cláudia Navarro, fizeram apelos aos pais para acelerar a imunização.

Dados de ontem apontam que apenas 35,9% dos jovens entre 5 e 11 anos receberam a segunda injeção – entre os maiores de 12 anos, o reforço foi aplicado em 65,4%. Embora reconheça que a cidade ainda não atingiu o “nível ideal” de cobertura vacinal, Cláudia garante que houve considerável avanço.

“Em 17 de março, 13,3% das crianças haviam tomado a segunda dose”, lembrou, durante entrevista coletiva, em comparação aos quase 36% atuais. “Um dos motivos é exatamente essa tentativa de conscientização dos pais, dos responsáveis, sobre a vacinação da criança”.

Na visão de Unaí Tupinambás, infectologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a necessidade de expandir a imunização é uma das lacunas que precisam de preenchimento.

“Ainda temos a população com a terceira dose aquém do ideal e estamos atravessando o outono-inverno. Temos que levar em consideração o que acontece na Europa, na Ásia e nos EUA, onde está tendo aumento de casos”, pontua. Embora não creia em subida vertiginosa dos números, como visto no início de 2021, Unaí pede atenção redobrada. “Temos que tomar cuidado, porque há um aumento de casos ao redor do mundo”.

Unaí diz que esperaria mais um tempo para definir pela retirada das máscaras. Apesar disso, considera positiva a decisão de manter o uso do aparato para circulação em hospitais e embarque no transporte coletivo.

No Rio de Janeiro, as proteções faciais em locais foram desobrigadas no mês passado. Como mostrou o Estado de Minas, a decisão veio a reboque de campanha de imunização nas escolas.

Para Cláudia Helena, 45, gerente de loja em BH, a decisão da prefeitura veio em momento adequado. “Os índices da pandemia já estão bem baixos e a expectativa era poder tirar a máscara. A vacina também ajudou muito. Foi em uma hora certa”.