Três dos quatro candidatos à presidência nacional do PT lançaram duras críticas ao governo Lula e pediram mudanças imediatas na condução política da gestão federal para evitar uma derrota em 2026. O recado veio durante debate realizado na noite de terça-feira (18), no Rio de Janeiro, e deixou claro o clima de tensão interna às vésperas da eleição partidária.

Romênio Pereira, Rui Falcão e Valter Pomar traçaram um cenário preocupante para o Planalto. Apenas Edinho Silva, atual prefeito de Araraquara e preferido de Lula na disputa interna, saiu em defesa do governo.

“Ou o governo muda ou o povo muda de governo”, alertou Romênio. “Estamos diante de uma alta taxa de reprovação. A gente só gosta de ver pesquisa quando ela é boa”, ironizou. Pomar endossou: “Estamos perdendo apoio na base social e eleitoral, como confirmam todas as pesquisas”. Para ele, é necessário mudar “tanto a linha do governo quanto a do partido”.

Ex-presidente do PT por três mandatos, Falcão foi igualmente direto: “Há ilusões pelo fato de Lula ainda liderar as pesquisas. Mas nossa popularidade está muito baixa, e isso nos preocupa. É preciso acabar com a modorra e o alheamento”.

Na defensiva, Edinho admitiu que o governo enfrenta dificuldades reais. “O Congresso está movido a emendas, hostil ao PT. Não estamos mais num regime presidencialista”, afirmou. “Mesmo numa coalizão, o presidente Lula tem enfrentado dificuldades para governar.”

Sobre o impacto das críticas, Edinho alertou que elas poderiam ser exploradas pela oposição. “Isso está sendo recortado para usarem contra nós”, disse. Mas a advertência não sensibilizou os adversários.

“Quem avisa, amigo é. O eleitor pode nos mandar para um destino que não queremos”, afirmou Romênio. Rui foi ainda mais incisivo: “Lula disse que não queria saber de puxa-saco. Estou seguindo à risca a orientação do nosso presidente”.

Em tom mais tenso, Pomar acusou Washington Quaquá, líder petista no Rio e apoiador de Edinho, de “promiscuidade com milicianos” e “enriquecimento incompatível com a política”. Ninguém o defendeu. Depois, Quaquá respondeu em grupo de mensagens chamando Pomar de “vagabundo” e “caluniador”.

Foto: Gabriel Paiva/PT

 


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