Em meio a crescentes tensões entre os poderes estaduais, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), enfrentou críticas contundentes do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB), conhecido como Tadeuzinho. Durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, Tadeuzinho declarou que o Legislativo não atua para simplesmente homologar “vontades do governo”.
“A Casa não vai e nunca foi de atender vontades do governo”, afirmou o parlamentar, elevando o tom na relação entre Executivo e Legislativo.
O deputado estadual também destacou que a Assembleia sempre colaborou com a administração estadual e evitou derrotas significativas para o governo. “Todos os projetos que chegaram foram votados. Se a Assembleia quisesse criar dificuldades para o governo… Por exemplo, o Regime de Recuperação Fiscal, todos sabemos que o governo nunca teve votos suficientes para aprovar. Em vez de pautar e gerar uma derrota, fomos a Brasília e construímos um caminho muito melhor”, afirmou.
A declaração de Tadeuzinho veio após questionamentos sobre a recente mudança na Secretaria de Governo. Na semana passada, Gustavo Valadares (PMN) deixou o cargo e retornou à Assembleia. Para substituí-lo, foi nomeado Marcelo Aro (PP), atual secretário da Casa Civil e pré-candidato ao Senado pelo governo. A posse de Aro está prevista para esta quinta-feira.
Valadares saiu do governo em meio a desgastes com os deputados, que se queixavam da falta de atendimento por parte da administração estadual. Além disso, na distribuição de cargos na Assembleia, aliados de Tadeuzinho foram mais beneficiados do que os ligados a Zema, o que gerou insatisfação dentro da Cidade Administrativa, sede do governo estadual.
Sobre essa mudança, o presidente da Assembleia afirmou não saber se se tratava de uma resposta direta a ele, mas elogiou Marcelo Aro, a quem classificou como amigo pessoal.
No último ano, o governo estadual sofreu reveses significativos, incluindo dissidências dentro de sua própria base aliada. A crise política se agravou neste mês, com a saída de 11 deputados do PL do grupo que apoia o Executivo.
Nos bastidores, aliados de Valadares afirmam que seu retorno à Assembleia pode estar relacionado a uma futura indicação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). A expectativa seria de que ele fizesse articulações políticas para viabilizar a indicação. No entanto, parlamentares da base refutam essa hipótese e argumentam, sob reserva, que ele não precisaria deixar o governo para realizar essa movimentação. A avaliação nos corredores da Assembleia é de que Valadares retorna à Casa com menos prestígio político.
Foto: Daniel Protzner

