O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, publicou nesta terça-feira sua sexta carta à comunidade internacional, reforçando os preparativos para a conferência que ocorrerá em Belém (PA). No documento, Lago cobrou a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, a necessidade de zerar o desmatamento e a degradação florestal até 2030 e destacou que 80% dos países signatários do Acordo de Paris ainda não apresentaram novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para reduzir emissões até 2035.
“Ao cruzarmos a marca dos 100 dias antes da COP30, cerca de quatro quintos dos membros do Acordo de Paris ainda não apresentaram novas NDCs para 2035. As Partes sabem como é importante que a UNFCCC receba as NDCs a tempo de serem refletidas no relatório de síntese”, afirmou Lago.
Segundo ele, a apresentação dessas metas representa “a demonstração mais forte” de compromisso com o multilateralismo e com os princípios do Acordo de Paris. O embaixador frisou que, em conjunto, a redução das emissões “pode efetivamente oferecer à humanidade um futuro seguro, próspero e sustentável”. Para isso, destacou sua disposição em promover “um diálogo franco, aberto e criativo” entre os países.
Lago também ressaltou que a descarbonização exige “triplicar a capacidade global de energia renovável, duplicar a taxa de eficiência energética e avançar na transição para afastamento dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa”.
O embaixador aproveitou a carta para lançar o programa “Consultas da Presidência da COP30”, destinado a antecipar negociações que, de outra forma, ficariam concentradas nas duas semanas da conferência. O objetivo é facilitar consensos em temas prioritários e reduzir controvérsias. “Encorajo as Partes a se absterem de introduzir novos itens de agenda potencialmente controversos que possam sobrecarregar ainda mais o processo”, escreveu.
Na semana anterior, Lago já havia divulgado outra carta, convidando formalmente a comunidade internacional para a COP30 em Belém. O texto foi publicado em meio à pressão de delegações estrangeiras diante da crise gerada pelos altos preços de hospedagem na capital paraense, com diárias que chegam a superar as cobradas em hotéis de luxo em cidades como São Paulo e Brasília.
Participantes ameaçaram não comparecer à conferência e sugeriram a mudança da sede para outra cidade brasileira. Em resposta, Lago reforçou que “a presidência da COP30 convida a comunidade internacional a fazer de Belém um ritual de passagem para marcar e celebrar com sobriedade a nossa transição para um futuro mais promissor e próspero”.
A escalada dos custos levou a Defensoria Pública do Pará a notificar plataformas de hospedagem, exigindo a exclusão de anúncios abusivos. Paralelamente, integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Secretaria Extraordinária da COP30, responsável pela organização do evento, iniciaram reuniões para buscar soluções viáveis.
Com pouco mais de três meses para o início da cúpula, as preocupações logísticas somam-se às pressões políticas. A expectativa é de que a conferência seja palco de debates decisivos sobre a ampliação das metas climáticas, a transição energética global e os compromissos para deter o desmatamento, consolidando Belém como marco da luta contra a crise climática.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

