A produção de arroz no Brasil para a safra 2024/25 deve atingir 12,06 milhões de toneladas, o maior volume em sete anos. Esse crescimento reflete a expansão de quase 10% na área de cultivo, impulsionada pelos altos preços do grão no mercado interno durante a safra 2023/24.
Com a oferta abundante, o Brasil deve reduzir as importações de arroz em 18%, totalizando 1,4 milhão de toneladas, enquanto as exportações devem crescer 54%, alcançando 2 milhões de toneladas, segundo o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea). A colheita começará em fevereiro na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, com pico previsto entre o final de março e início de abril.
No entanto, a ampla oferta deve pressionar os preços do cereal no mercado interno, especialmente no primeiro semestre. Os valores por saca de 50 quilos, que chegaram a R$ 131 em janeiro de 2024, estão estimados entre R$ 80 e R$ 90 na nova safra, próximos do ponto de equilíbrio para os produtores, desde que mantenham alta produtividade e boa gestão de custos. Nesta segunda-feira (6/1), a saca de arroz foi cotada a R$ 99,08 no Rio Grande do Sul.
Além da oferta elevada, o setor enfrenta desafios relacionados à queda da demanda interna. O varejo terá papel estratégico, com marcas tradicionais tentando reconquistar espaço frente às marcas mais baratas, focadas em consumidores sensíveis ao preço.
As exportações continuarão sendo um fator determinante para balizar os preços. O dólar elevado – cotado acima de R$ 6 – favorece a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, ampliando as oportunidades de exportação, principalmente para mercados africanos. No entanto, a concorrência global deve se intensificar, já que países produtores enfrentam boas condições de safra, com exceção das Filipinas.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta uma colheita global de 533,86 milhões de toneladas para 2024/25, um crescimento de 2,11% em relação à safra anterior, consolidando um cenário de abundância no mercado mundial.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

