A produção industrial brasileira fechou 2024 com um crescimento de 3,1% em relação a 2023, consolidando-se como o terceiro maior avanço dos últimos 15 anos. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (5), o setor foi impulsionado pelo aumento do emprego e da renda, apesar das quedas registradas nos últimos três meses do ano.

Em dezembro, a produção industrial caiu 0,3%, após recuos de 0,2% em outubro e 0,7% em novembro. Apesar dessas retrações, o desempenho anual foi positivo e superou o crescimento modesto de 0,1% registrado em 2023. Nos últimos 15 anos, apenas 2010 (10,2%) e 2021 (3,9%) tiveram um desempenho superior. O nível de produção atual está 1,3% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 15,6% abaixo do pico registrado em maio de 2011.

De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa, o crescimento de 2024 foi disseminado entre diferentes setores da indústria. Das quatro grandes categorias econômicas – bens de capital, bens intermediários, bens duráveis e indústria geral –, todas apresentaram resultados positivos. Além disso, 20 dos 25 segmentos industriais analisados mostraram crescimento ao longo do ano.

“O desempenho positivo do setor industrial pode ser atribuído a fatores como o aumento da empregabilidade, a redução da taxa de desocupação, o crescimento da massa salarial e o estímulo ao consumo das famílias. Benefícios fiscais, maior renda disponível e o avanço no crédito também impulsionaram a produção”, destacou Macedo.

Nos últimos três meses de 2024, a indústria acumulou uma perda de 1,2%, registrando a primeira queda trimestral desde o terceiro trimestre de 2023. O enfraquecimento da atividade industrial no final do ano foi impactado pela redução da confiança dos empresários e consumidores.

Entre os principais fatores que influenciaram esse desaquecimento estão o aperto da política monetária, com a elevação da taxa básica de juros (Selic) a partir de setembro de 2024, e a valorização do dólar, que elevou os custos da indústria. A Selic, que começou o segundo semestre em 10,5% ao ano, encerrou 2024 em 13,25%, encarecendo o crédito para consumidores e empresas. A inflação também exerceu pressão sobre a economia, fechando o ano em 4,83%, acima do limite da meta de 4,5%.

O câmbio foi outro fator determinante, com o dólar registrando uma valorização de 27% ao longo do ano e encerrando 2024 em R$ 6,18, pressionando os custos de produção industrial. Atualmente, a moeda opera próxima de R$ 5,80.

O melhor desempenho da indústria ocorreu em junho, antes do início do ciclo de elevação dos juros e da desvalorização cambial. “O setor industrial mostrou força no primeiro semestre, mas perdeu fôlego na segunda metade do ano, com maior intensidade nos últimos três meses”, explicou Macedo.

Para 2025, as expectativas para a indústria dependerão de fatores como a evolução da política monetária, o comportamento da taxa de câmbio e o ritmo da demanda interna. O setor busca manter a trajetória de crescimento, mas enfrenta desafios macroeconômicos que podem afetar seu desempenho nos próximos meses.

Foto: José Paulo Lacerda© CNI


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