A produção industrial brasileira registrou um crescimento de 0,1% em outubro na comparação com setembro, revertendo a queda de 0,4% observada no mês anterior. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), refletiu principalmente o avanço na extração de petróleo, minério de ferro e gás natural, setores que impulsionaram o desempenho positivo da indústria extrativa. No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria nacional apresentou alta de 0,9%, embora esse número represente desaceleração em relação ao pico de 3,1% registrado em março de 2025. Quando comparado a outubro de 2024, houve retração de 0,5%. Ainda assim, o nível atual da produção industrial está 2,4% acima do período pré-pandemia, mas permanece 14,8% abaixo do maior patamar histórico, alcançado em maio de 2011.

Do total de 25 atividades pesquisadas, 12 registraram aumento. Além do crescimento de 3,6% nas indústrias extrativas, destacaram-se produtos alimentícios (0,9%), veículos automotores (2%), produtos químicos (1,3%), equipamentos de informática (4,1%) e confecção de vestuário (3,8%). Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, “o avanço foi influenciado pela maior extração de petróleo, minério de ferro e gás natural”. Contudo, algumas atividades apresentaram forte queda, como produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10,8%), derivados do petróleo (-3,9%), impressão de gravações (-28,6%) e produtos do fumo (-19,5%), indicando que a recuperação industrial ainda é desigual.

Um dos principais fatores que limitam um resultado mais robusto da indústria é o cenário de juros elevados. A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, o que restringe a oferta de crédito e reduz a demanda por bens e serviços. “A política monetária restritiva acaba impedindo um avanço maior não só da indústria, mas da economia como um todo”, afirmou Macedo. A inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,68%, acima do teto da meta oficial de 4,5%. A alta dos juros, embora usada para conter preços, causa impactos negativos no emprego e no crescimento econômico.

Por outro lado, o mercado de trabalho vem registrando resultados positivos, com queda no desemprego e aumento da renda, o que ajuda a atenuar pressões negativas sobre a indústria. Ainda assim, fatores externos também influenciaram o desempenho de outubro. Alguns segmentos apontaram o tarifaço americano como responsável pela redução da produção, especialmente o setor de madeira. Também relataram impacto os segmentos de calçados, minerais não metálicos e máquinas e equipamentos.

O tarifaço entrou em vigor em agosto e foi anunciado em julho pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aplicou tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros. Ele afirmou que as medidas tinham relação com o que chamou de “tratamento dado pelo Brasil” ao ex-presidente Jair Bolsonaro e alegou “perseguição política”. Desde então, governos brasileiro e americano negociam formas de reduzir as tensões comerciais. No dia 20, Trump retirou uma taxação adicional de 40% sobre carnes e café. Mesmo assim, segundo o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, 22% das exportações brasileiras aos Estados Unidos continuam sujeitas às sobretaxas.

O pesquisador André Macedo observou que nem todas as empresas que informam quedas na produção ao IBGE relatam suas causas, de modo que o impacto do tarifaço pode ser ainda mais amplo. Ele destacou que, apesar de influente, o tarifaço teve menor peso sobre a indústria do que a política de juros altos. Ainda assim, ressaltou que a pressão externa somada ao ambiente interno de crédito restrito cria dificuldades adicionais para a retomada consistente do setor industrial.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil


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