O PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, intensificou as articulações para filiar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e tem atraído outros nomes de peso do governo Lula e da política nacional. A sigla, atualmente presidida pelo prefeito do Recife, João Campos, busca se fortalecer para as eleições de 2026, ampliando sua bancada na Câmara e conquistando espaço no Senado. Entre os potenciais novos filiados estão os ministros Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, e Simone Tebet (MDB), do Planejamento, além do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) e da ex-deputada Manuela D’Ávila, que deixou o PCdoB em 2023.

A filiação de Marina Silva é tratada como a mais próxima de se concretizar. A ministra, que deseja disputar uma vaga no Senado, vem conversando diretamente com João Campos e com a deputada federal Tabata Amaral (SP), que é próxima de ambos e tem atuado como articuladora. Marina, no entanto, quer resolver pendências jurídicas relacionadas à disputa interna na Rede Sustentabilidade, legenda pela qual perdeu espaço, antes de decidir o futuro partidário.

Caso a migração se confirme, o movimento representará o retorno de Marina ao PSB. Ela integrou a sigla em 2014, quando disputou a Presidência após a morte de Eduardo Campos, então candidato ao Planalto. A ex-ministra terminou em terceiro lugar e, no ano seguinte, deixou o partido para fundar a Rede.

Em São Paulo, o PSB também tenta atrair Simone Tebet, que tem sido apontada como potencial candidata ao Senado. Embora seu domicílio eleitoral seja Mato Grosso do Sul, o desempenho expressivo na eleição presidencial de 2022 e as boas relações com o governo Lula ampliaram seu capital político no maior colégio eleitoral do país. A migração para uma legenda alinhada ao Planalto facilitaria uma eventual candidatura.

O prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) afirmou, porém, que considera improvável a candidatura de Tebet ao Senado por São Paulo. “Não diria que o MDB tem a porta fechada, mas ela não é de São Paulo. Com todo o carinho que tenho por ela, não vejo a menor condição de ser candidata aqui. Ela já tem uma história política no Mato Grosso do Sul, e temos bons nomes”, declarou.

Tebet, que conta com o apoio do advogado Marco Aurélio Carvalho, líder do grupo Prerrogativas, vem aparecendo em pesquisas internas contratadas pelo governo para avaliar cenários eleitorais no estado.

Em Minas Gerais, o PSB mira quadros do PSD, partido que tem se aproximado da direita local com a provável filiação do vice-governador Mateus Simões, hoje no Novo. Nesse contexto, o partido de Alckmin se posiciona como alternativa para lideranças que desejem manter vínculos com o governo federal. Entre os nomes cotados para uma eventual migração estão o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ministro Alexandre Silveira, ambos aliados de Lula.

Pacheco e Silveira são avaliados como possíveis candidatos a cargos majoritários — governo estadual ou Senado — nas próximas eleições. “Rodrigo Pacheco avalia a possibilidade de ir para o Supremo Tribunal Federal, caso seja indicado, enquanto Silveira tem dito que seguirá a decisão do presidente Lula”, relatou um dirigente do PSB mineiro.

Segundo integrantes do partido, houve conversas recentes com os dois, mas o clima é de cautela. “O PSB prefere aguardar os próximos movimentos de Gilberto Kassab antes de qualquer decisão. Se o PSD mineiro se afastar do governo federal, o PSB se tornará um porto natural para quem quiser manter alinhamento com o presidente”, explicou uma liderança da sigla.

No Rio Grande do Sul, o partido também tenta atrair a ex-deputada Manuela D’Ávila, que se desfiliou do PCdoB no ano passado. Vice na chapa de Fernando Haddad (PT) em 2018, Manuela é vista como um nome capaz de disputar o Senado ou de impulsionar a chapa proporcional como puxadora de votos para a Câmara dos Deputados. “Manuela tem densidade política e reconhecimento nacional. Sua entrada fortaleceria o PSB gaúcho e ajudaria o partido a ampliar sua representação federal”, avaliou um integrante da direção nacional.

Com o comando de João Campos, o PSB aposta na reconstrução de sua base nacional, mantendo Geraldo Alckmin como vice de Lula e ampliando sua presença nas principais regiões do país. A estratégia inclui consolidar alianças com o PT e com legendas do campo progressista, garantindo protagonismo em 2026. “O PSB vive um momento de expansão, e nossa prioridade é montar chapas competitivas nos estados estratégicos, fortalecendo a aliança com o presidente Lula e garantindo espaço no futuro governo”, afirmou um dirigente próximo a Campos.

Com Marina Silva, Tebet, Pacheco, Silveira e Manuela entre os possíveis reforços, o PSB tenta se firmar como um dos principais partidos de centro-esquerda do país, equilibrando experiência administrativa e renovação política em sua nova fase.

Foto: Ana Paula Paiva

 

 


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