A sobrevivência do PSDB pode depender das discussões sobre uma nova reforma eleitoral. A Emenda Constitucional (EC) 97, aprovada em 2017, foi um marco na política brasileira ao proibir coligações em eleições proporcionais e instituir uma cláusula de desempenho eleitoral. A medida condiciona o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV ao desempenho mínimo dos partidos nas eleições para a Câmara dos Deputados.
A partir de 2026, os partidos precisarão obter 2,5% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em pelo menos nove estados, com no mínimo 1,5% em cada um, ou eleger 13 deputados por nove estados distintos. Em 2030, as exigências aumentarão para 3% dos votos nacionais ou 15 deputados eleitos.
Apesar de ter apoiado a EC 97 com todos os seus 34 votos na Câmara, o PSDB não previu os desafios que enfrentaria. O partido, que governou o Brasil por oito anos e alcançou seu auge em 1998 com 99 deputados eleitos, teve uma drástica queda de desempenho. Em 2022, elegeu apenas 13 deputados e nenhum senador, demonstrando sua perda de protagonismo.
As causas da crise tucana são diversas. Entre elas, destacam-se a desarticulação interna promovida por João Doria, o apoio ao impeachment de Dilma Rousseff, os escândalos da Lava Jato, as acusações contra Aécio Neves e a ascensão de Jair Bolsonaro, que conquistou o eleitorado de direita antes alinhado ao PSDB. Além disso, as novas regras dificultaram o acesso a recursos públicos, aumentando a pressão sobre o partido.
Para evitar o desaparecimento, o PSDB avalia a possibilidade de fusões com outras legendas, como PDT, Solidariedade, MDB e PSD, ou mesmo a formação de uma federação. No entanto, essas negociações precisam ser concluídas antes das eleições de 2026, quando o partido ainda possui recursos do fundo partidário e tempo de propaganda.
Um ponto central nas negociações é o controle do diretório mineiro, liderado por Aécio Neves, figura-chave nas articulações. A disputa interna pelo controle dos diretórios estaduais e municipais também representa um desafio para a conclusão de qualquer acordo.
A grande esperança tucana está em uma nova reforma eleitoral, prevista para ser discutida no Congresso no segundo semestre de 2025. As mudanças propostas no novo Código Eleitoral, atualmente em tramitação no Senado, são fundamentais para a definição das regras futuras. Apesar de manterem o fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho, essas alterações podem abrir espaço para negociações que favoreçam a sobrevivência do PSDB.
Independentemente da posição em relação ao partido, acompanhar os debates no Congresso será crucial. O novo Código Eleitoral promete influenciar não apenas o futuro dos tucanos, mas também o cenário político brasileiro como um todo.
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

