Diante da pressão do deputado federal Aécio Neves (MG), o PSDB realiza nesta quarta-feira uma reunião com o MDB para discutir uma possível fusão entre os partidos. O encontro acontece na sede do MDB e ocorre em meio à resistência do presidente nacional tucano, Marconi Perillo, que prefere estabelecer alianças em vez de uma fusão definitiva.
A divergência entre os grupos de Aécio e Perillo se intensificou nas últimas semanas. O deputado mineiro é contrário à aproximação com o PSD, partido que integra a base do governo federal, pois acredita que essa união pode dificultar sua candidatura ao Senado em 2026. Em Minas Gerais, o PSD conta com o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o que pode atrapalhar os planos de Aécio.
Já Marconi Perillo tem interesse em disputar novamente o governo de Goiás, mas enfrenta um obstáculo dentro do MDB: a candidatura do vice-governador Daniel Vilela, que representa o grupo político do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), um dos maiores adversários do ex-governador tucano.
Em entrevista ao jornal O Globo, Perillo afirmou que as negociações seguem em aberto e que o PSDB também mantém diálogo com outras siglas, como Solidariedade e Podemos. “Estamos conversando com vários partidos. Não há nenhuma decisão tomada. Para qualquer solução, será necessária flexibilidade de ambas as partes. Caso contrário, não haverá acordo”, disse.
Por sua vez, Aécio Neves defendeu publicamente a busca por alianças com forças políticas que não estejam nos extremos do espectro ideológico. Ele elogiou Perillo e destacou a importância do PSDB no fortalecimento do chamado “centro político”. “O PSDB tem grande responsabilidade em ajudar a consolidar esse campo. Trabalharei ao lado do presidente Marconi, dos nossos governadores e de outras lideranças para esse objetivo”, declarou.
A possibilidade de fusão também impacta os planos de governadores tucanos que disputarão a reeleição em 2026, como Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul). O PSD, de olho nesses quadros, já vinha negociando com ambos, mas a criação de uma federação entre PSDB e MDB pode frear esses movimentos.
Embora Lyra e Riedel ainda não tenham anunciado formalmente suas desfiliações do PSDB, ambos eram cortejados e não descartavam a mudança de legenda. Agora, esperam o desfecho das negociações para definir seu futuro político.
No caso de Raquel Lyra, uma eventual saída do PSDB poderia aproximá-la do presidente Lula (PT), a quem seu partido tradicionalmente faz oposição. O cenário político em Pernambuco inclui a necessidade de neutralizar a influência do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que mantém boa relação com o Planalto e pode ser um obstáculo para a governadora.
Como MDB e PSD fazem parte da base do governo federal, a fusão poderia levar o PSDB a abandonar a oposição, o que ajudaria a resolver o impasse político dos governadores tucanos. No entanto, a decisão final ainda depende de um consenso interno e das estratégias de cada liderança envolvida.
Foto: Alexssandro Loyola

