Com o risco de não atingirem a cláusula de barreira nas próximas eleições, diversos partidos vêm intensificando negociações para fusões e federações em busca de sobrevivência. No total, 11 legendas com representação na Câmara dos Deputados estão próximas da linha de corte, sendo que a maioria já está em conversas avançadas. O PSDB, por exemplo, negocia uma fusão com o Podemos e o Solidariedade.

A partir de 2026, para garantir acesso a recursos públicos e tempo de TV, os partidos precisarão eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos por um terço dos estados ou obter 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com distribuição mínima de 1,5% em um terço das unidades da federação.

Atualmente, existem três federações partidárias ativas, mas todas devem passar por mudanças até 2025. O Cidadania decidiu deixar a federação com o PSDB, a Rede avalia romper com o PSOL, e o PV estuda se continuará ao lado do PT e do PCdoB. A federação permite que partidos mantenham sua identidade e comando interno, mas exige alinhamento político e a permanência por pelo menos quatro anos. Já a fusão, como a avaliada pelo PSDB, transforma os partidos em uma única legenda, sem possibilidade de reversão.

O PSDB, que já formou uma federação com o Cidadania, tem uma bancada de 18 deputados — 13 tucanos e cinco do Cidadania. A saída deste último fragiliza ainda mais a legenda para 2026. Além do PSDB, outros nove partidos com bancadas reduzidas precisarão de estratégias para sobreviver: PDT (17 deputados), PSB (15), Podemos (14), PSOL-Rede (14), Avante (7), Solidariedade (5), PRD (5) e Partido Novo (4). As demais siglas representadas na Câmara têm bancadas acima de 40 parlamentares e não correm riscos com as novas regras.

Em sua melhor fase, o PSDB chegou a eleger 99 deputados em 1998, a segunda maior bancada da Câmara. Mesmo com derrotas presidenciais, o partido manteve relevância até 2014. Entretanto, desde 2018, com a ascensão do bolsonarismo e disputas internas, sua presença no Congresso vem diminuindo. Com a saída do Cidadania, a fusão com o Podemos e o Solidariedade se tornou prioridade.

A fusão criaria um novo partido de centro. Ainda vamos avaliar se manteremos o nome PSDB, mas a ideia é formar uma bancada de pelo menos 40 deputados em 2026”, afirmou Marconi Perillo, presidente do PSDB. A sigla pretende ampliar sua atuação em estados onde tem pouca representatividade, como Pernambuco, onde perdeu a governadora Raquel Lyra para o PSD. A ex-candidata ao governo Marília Arraes (Solidariedade-PE) é vista como uma puxadora de votos para o grupo.

O deputado Aécio Neves (PSDB-MG), integrante da Executiva Nacional da sigla, prevê que o partido também pode retomar diálogos com o MDB para ampliar uma eventual federação.

Outro grupo que deve se reformular é a federação PSOL-Rede. A Rede discute, em reunião marcada para abril, a possibilidade de migrar para um novo bloco com PT, PSB, PDT, Cidadania e PV. O PSOL, por sua vez, ainda não busca novas siglas para compensar a eventual saída da Rede, mas aposta em candidatos fortes para ampliar sua bancada. Um dos nomes cotados é o da ex-deputada Manuela D’Ávila, que deixou o PCdoB e ainda não se filiou a outro partido.

O PSB também avalia criar uma federação com PDT, Rede, PV e Cidadania, mas há desafios internos, como a rivalidade entre os irmãos Ciro e Cid Gomes. Enquanto Cid Gomes, líder do PSB no Senado, mantém aliança com o PT no Ceará, Ciro segue na oposição ao partido de Lula.

A cláusula de desempenho foi aprovada pelo Congresso em 2017, com apoio da bancada do PSDB no Senado. Sua aplicação começou em 2018 e se tornará mais rígida até 2030, quando exigirá um mínimo de 15 deputados federais em um terço dos estados ou 3% dos votos válidos, distribuídos de forma semelhante.

Desde então, vários partidos desapareceram. Em 2019, o PHS foi incorporado ao Podemos e o PPL ao PCdoB. Em 2023, o PSC se fundiu com o Podemos, e o PROS com o Solidariedade. Já PTB e Patriota uniram-se para formar o PRD. Em um movimento diferente, o DEM e o PSL se fundiram para criar o União Brasil em 2022, garantindo maior influência no Congresso e nos estados.

Foto: Foto: Divulgação/ PSDB


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