A Comissão Mista de Orçamento do Congresso levou a voto nesta quarta-feira proposta para acabar com o orçamento secreto. Votaram a favor apenas duas pessoas: a deputada Fernanda Melchionna, do PSOL, e o deputado Elias Vaz, do PSB.
Havia em plenário meia dúzia de deputados do PT: Enio Verri, Rui Falcão, Leonardo Monteiro, Waldenor Pereira, Nilto Tatto e Paulo Guedes, homônimo do ministro da Economia. Nenhum deles se manifestou durante a votação.
Repetindo: seis representantes do PT na Comissão de Orçamento avalizaram com o seu silêncio a manutenção dos R$ 19,4 bilhões reservados para o pagamento de emendas secretas no orçamento federal de 2023, primeiro ano da gestão Lula. Ironicamente, coube a Fernanda Melchionna, deputada do PSOL, tradicional parceiro do PT, a apresentação da proposta que expôs os pés de barro do petismo.
Durante a campanha eleitoral, Lula disse cobras e lagartos sobre o orçamento secreto. Chamou de “imperador” o presidente da Câmara, Arthur Lira, acusando-o de comprar votos de deputados.
Em julho, numa reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Lula comparou a perversão criada sob Bolsonaro com um escândalo da Era petista:
“Fizeram um tremendo carnaval com o mensalão e, hoje, estão aprovando o orçamento secreto, que é a maior excrescência política orçamentária do país”, disse Lula na época. “O presidente já não tem poder sobre o orçamento…”
Agora, às voltas com a necessidade de aprovar a sua PEC da Transição, Lula avaliza o apoio do PT à recondução de Lira à presidência da Câmara. E se finge de morto diante das manobras que dão sobrevida à excrescência orçamentária.
O deputado Enio Verri, um dos petistas que evitaram votar a favor da extinção do orçamento secreto, tentou justificar a omissão paradoxal. “O PT não assumiu o governo ainda. Vamos assumir no dia 1º de janeiro”, disse ele. “Não temos como, agora, mexer numa coisa que é tão sensível…”

