O Partido dos Trabalhadores (PT) concluiu neste fim de semana a eleição de sua nova executiva nacional, em um movimento que reflete alianças internas e já projeta a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. A lista dos escolhidos para os principais cargos foi resultado de negociações conduzidas pelo novo presidente do diretório, que precisou costurar apoios de diferentes correntes para garantir sua vitória.
Entre os destaques, Gleide Andrade, ligada à ex-presidente do partido e atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, manteve-se no comando da Secretaria de Finanças e Planejamento, apesar de resistência inicial de Edinho Silva. A hegemonia da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) ficou evidente: dos 26 integrantes da executiva além da presidência, sendo 11 secretários, 10 vogais e cinco vice-presidentes, 14 pertencem ao grupo majoritário.
Todos os novos vice-presidentes são homens: Jilmar Tatto, Joaquim Soriano, José Guimarães, Rubens Júnior e Washington Quaquá. Já os líderes das bancadas no Congresso também asseguraram espaço: Lindbergh Farias, na Câmara, e Rogério Carvalho, no Senado. Entre as mulheres, cinco nomes se destacam em cargos estratégicos: Lucinha, responsável por Movimentos Populares e Política Setorial; Maria de Jesus, conhecida como Claudinha, na área de Nucleação; Vitória Fortuna, em Articulação de Políticas Públicas; Tássia Rabelo, em Formação; e a própria Gleide Andrade. A proporção de gênero, contudo, destoou da defesa da igualdade expressa em resolução aprovada no mesmo encontro.
As demais secretarias ficaram distribuídas entre Eden Valadares (Comunicação), Henrique Fontava (Secretaria-Geral), Humberto Costa (Relações Internacionais), Laércio Ribeiro (Organização), Luiz Felipe, conhecido como Hadesh (Mobilização), e Romenio Pereira (Assuntos Institucionais).
Paralelamente à eleição, o diretório nacional aprovou uma nova resolução política composta por 29 itens. O texto inicia com críticas diretas ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, classificado como liderança de “extrema-direita” e símbolo de práticas “imperialistas”. Em entrevista coletiva, Edinho Silva reforçou esse tom. “Ninguém tem dúvida de que o governo Trump se inspira no fascismo. A forma com que ele deporta imigrantes, como obrigou a prefeita de Washington a apagar das ruas a frase ‘Vidas pretas importam’, manifesta-se de forma racista. Ele deporta venezuelanos para El Salvador e apoia forças nazistas na Europa. Quando o caracterizo como o maior líder fascista do século 21, não estou bravateando”, declarou.
Na visão do PT, as recentes medidas de Trump, como o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, evidenciam uma ofensiva contra a soberania nacional e contra o governo Lula. O partido entende estar diante de uma disputa de longo prazo contra o que chama de “fascismo”, com desdobramentos institucionais e econômicos. A avaliação interna é de que Trump pretende interferir no cenário brasileiro visando derrotar Lula nas próximas eleições.
Para reagir, a sigla planeja uma ampla mobilização no 7 de Setembro, com foco na defesa da democracia e da soberania nacional. A iniciativa busca aproveitar o contexto de hostilidade crescente contra Trump, ao mesmo tempo em que se intensificam as investigações contra a família Bolsonaro e avança no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento do ex-presidente.
A ideia é transformar a data em um “plebiscito popular” sobre temas que devem pautar a campanha de 2026: o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos e a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até cinco mil reais por mês.
A resolução aprovada também se posiciona contra qualquer possibilidade de anistia para envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, reafirma o compromisso de reconstruir o fórum permanente do PT da Amazônia Legal, especialmente em preparação para a COP30, e destaca a urgência da regulação das plataformas digitais, que deve avançar em breve no Congresso Nacional.
Com isso, o PT procura não apenas organizar sua estrutura interna, mas também reforçar sua estratégia de enfrentamento aos adversários, em especial Trump e Bolsonaro, enquanto projeta a sustentação política de Lula para o próximo pleito presidencial.
Foto: Divulgação/PT

