Após um longo dia de discussões, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem, Omar Aziz (PSD-AM), definiu que o senador Rogério Carvalho (PT-SE) será o relator.

“Para que a gente possa ter uma relação isenta de pessoas ligadas de Alagoas, eu indico o senador Rogério Carvalho (PT-SE), como relator“, Omar Aziz.

Durante a escolha, Omar Aziz pediu para que o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que protocolou o pedido de criação da CPI e pleiteava a vaga de relator, entendesse a decisão. Segundo ele, Renan poderia direcionar as investigações e acabar limitando o escopo que a CPI teria e que agora, poderá “levantar todos os cadáveres” para achar os culpados da tragédia em Maceió.

“Independente de sua participação da CPI o compromisso que nós estamos assumindo aqui hoje é levantar todos os cadáveres para ter chegado nessa situação porque isso não chegou do dia para noite, não aconteceu do dia para noite e nós vamos levantar e quem me conhece sabe que vai levantar e sem amarras”.

O parlamentar alagoano, no entanto, anunciou que não concordava com a decisão e que sairia do colegiado.

“Eu deixo a comissão por não concordar com o encaminhamento da relatoria”, afirmou Calheiros.

Renan ainda ponderou a escolha dizendo que se o caso tivesse ocorrido em Sergipe, ele abriria mão da relatoria para que Carvalho assumisse por ter mais conhecimento da situação na região.

A designação do senador Omar Aziz do senador Rogério Carvalho é regimental, mas eu confesso que se houvesse um crime ambiental desta magnitude em Sergipe, eu lhe concederia essa oportunidade. E talvez a Vossa Excelência teria tido mais propriedade para acompanhar”, afirmou Renan.

Renan ainda sofreu críticas de um aliado de longa data, o senador Otto Alencar (PSD-BA), que afirmou que também não escolheria Calheiros como relator caso tivesse sido escolhido como presidente da CPI.

“Eu não vejo de maneira nenhuma a posição do senador Omar Aziz, como presidente, que não tenha sido uma posição lúcida, portanto, me permita que a posição foi lúcida, se tivesse no lugar dele eu não indicaria Vossa Excelência [Renan Calheiros] também, indicaria um senador de outro estado. Então, quero referendar a posição do senador Omar Aziz”, afirmou Alencar.

Indicados

A CPI, que vai ocorrer estritamente no Senado, é composta por 11 senadores e sete suplentes, totalizando 18 vagas.

Dentre os 18 representantes, apenas oito são do Nordeste. Todos os senadores de Alagoas integraram a CPI.

Veja os titulares já indicados:

Renan Calheiros (MDB-AL)

Efraim Filho (União-PB)

Rodrigo Cunha (Podemos-AL)

Cid Gomes (PSB-CE)

Omar Aziz (PSD-AM)

Jorge Kajuru (PSB-GO)

Otto Alencar (PSD-BA)

Rogério Carvalho (PT-SE)

Wellington Fagundes (PL-MT)

Eduardo Gomes (PL-TO)

Dr. Hiran (PP-RR)

Suplentes indicados:

Fernando Farias (MDB-AL)

Jayme Campos (União-MT)

Soraya Thronicke (Podemos-MS)

Angelo Coronel (PSD-BA)

Fabiano Contarato (PT-ES)

Magno Malta (PL-ES)

Cleitinho (Republicanos-MG)

Governo contra

Ao longo da criação da CPI, o governo se postou de forma contrária a comissão para não se indispor com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), cujo aliado é o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PP-AL).

Em dezembro, o presidente Lula chegou a se reunir com parlamentares para conversar sobre os impactos da mina de sal-gema da Braskem que entrou em colapso em Maceió como forma de abaixar a poeira entre eles.

Existe também uma preocupação do governo para que as investigações da Braskem não afetem a Petrobras, que é uma das maiores acionistas da companhia.

Por outro lado, durante a primeira reunião que aconteceu para definir a relatoria, pela manhã desta quarta-feira (21), Aziz afirmou que a CPI não se limitará a Maceió e sim sobre o procedimento de extração de sal-gema que afetou a cidade.

“Eu quero lhe dizer uma coisa, senador [Renan], pode ter certeza que o povo de Alagoas, a população de Maceió vai saber e essa CPI vai apurar e se não apurar eu vou ser o primeiro a denunciar. Não é a Brasken só, é todos aqueles que foram passíveis ao longo do tempo que vem de Brasken e outras empresas, nós vamos levantar tudo o que é túmulo nessa situação para gente mostrar a sociedade brasileira que não chegou nesse limite só a Brasken querendo”.

Caso Braskem

Em dezembro, parte da mina 18 da Braskem, sob o trecho da lagoa Mundaú, que fica no bairro do Mutange, sofreu um rompimento.

A mina e todo o seu entorno estão desocupados desde o primeiro aviso de risco de colapso na região, divulgado no dia 29 de novembro. A mina sob risco é uma das 35 que a Braskem mantinha na região para extração de sal-gema.

Em cinco anos, desde que surgiram as primeiras rachaduras em casas e nas ruas por causa da mineração realizada na região pela Braskem, mais de 14 mil imóveis tiveram que ser esvaziados em cinco bairros, afetando cerca de 60 mil pessoas.


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