O presidente russo, Vladimir Putin, confirmou nesta sexta-feira (18) que não comparecerá à cúpula do G20, que ocorrerá no próximo mês no Rio de Janeiro. Ele afirmou que sua presença poderia prejudicar os trabalhos do evento, dizendo: “O G20 é um fórum útil, mas minha vinda poderia atrapalhar”. Embora ausente, Putin garantiu que a Rússia será representada no encontro, destacando que “encontraremos alguém para representar nosso país”.

A possível participação de Putin gerou controvérsia devido ao mandado de prisão emitido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). O presidente russo é acusado de crimes de guerra relacionados à deportação ilegal de crianças de áreas ocupadas pela Rússia na Ucrânia. Como o Brasil é signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, o país teria a obrigação de prender Putin caso ele pisasse em território brasileiro.

Apesar disso, Putin minimizou o risco de detenção, mencionando a possibilidade de um acordo bilateral com o Brasil para evitar o cumprimento do mandado. Ele ressaltou a boa relação entre os dois países, o que poderia facilitar tal acordo.

O mandado de prisão foi emitido em março de 2023, e além de Putin, outros cinco membros do governo russo foram citados, incluindo a comissária para os direitos das crianças, Maria Lvova-Belova, e o ex-ministro da Defesa, Serguei Choigu. Todos são acusados de participação na deportação forçada de crianças ucranianas, um crime que o TPI considera grave o suficiente para justificar a emissão dos mandados.

A ausência de Putin no evento ocorre após pressões internacionais. O procurador-geral da Ucrânia, Andri Kostin, pediu que o Brasil cumprisse a ordem de prisão caso Putin viesse, destacando que o país tem uma responsabilidade como signatário do Estatuto de Roma. “O Brasil deve reafirmar seu compromisso com a democracia e o Estado de Direito”, declarou Kostin.

Em setembro, durante o encontro do G20 em Nova Déli, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, inicialmente afirmou que Putin não seria preso caso viesse ao Brasil. No entanto, Lula depois corrigiu sua declaração, afirmando que a decisão de prender ou não Putin caberia ao Judiciário brasileiro.

Com o anúncio de sua ausência, Putin evita o risco de ser detido e mantém a polêmica em torno de sua participação fora da agenda oficial da cúpula.

 


Avatar

administrator